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Diabetes e exercício físico

Diabetes

O que é diabetes?

O diabetes mellitus (DM) é uma doença inserida no grupo das patologias metabólicas. Ela ocorre por falha na secreção ou ação da insulina. Isso faz com que o individuo permaneça em um estado hiperglicêmico (aumento de açúcar no sangue) crônico. Com o tempo o excesso de glicose sanguínea pela insuficiência da insulina pode resultar em uma série de efeitos no metabolismo dos carboidratos, lipídeos e proteínas, e consequentemente levar a complicações e até falência de estruturas orgânicas nobres.

Metabolismo e diabetes:

Os músculos, quando solicitados durante um exercício físico, podem aumentar em até 20 vezes sua necessidade de consumo de oxigênio e de suas reservas energéticas (glicogênio, triglicérides e ácidos graxos livres).

Durante os exercícios ocorrem ajustes metabólicos para que os níveis da glicemia (açúcar no sangue) fiquem dentro da normalidade. Em grande parte esses ajustes são realizados por hormônios.  Ocorre então uma diminuição da insulina e um aumento do glucagon (hormônio que aumenta os níveis de glicose no sangue) e catecolaminas (exemplo: adrenalina) para que o organismo possa desempenhar suas funções.

No individuo diabético essas adaptações hormonais são perdidas, principalmente nos que dependem do uso da insulina como tratamento. Essa perda pode levar a pessoa a fenômenos de hipoglicemia (baixo açúcar no sangue) durante a atividade física (fenômeno este potencialmente grave). Hipoglicemia durante o exercício raramente acontece em indivíduos não diabéticos.

Com as novas publicações se torna mais evidente que os exercícios podem ser uma ferramenta terapêutica em uma variedade de pacientes em risco de desenvolver ou com diabetes. Para isso é necessário uma equipe multidisciplinar da área da saúde com conhecimento e treinamento em fisiologia de exercício.

Diabetes e exercícios:

A prática de atividade física leva aos indivíduos portadores de diabetes diversos benefícios. Porém os benefícios somente serão mantidos se os indivíduos continuarem praticando exercício adequado em longo prazo (Fechio e Malerbi, 2004).

A prática de exercício melhora as medidas fisiológicas (que decorrem de um estilo de vida fisicamente ativo), tais como redução de triglicerideos e do colesterol LDL, aumento do colesterol HDL, diminuição da frequência cardíaca de repouso e em atividade, redução da pressão arterial, entre outras. Esstas adaptações são ainda mais importantes nos portadores de diabetes mellitus, uma vez que o risco de mortalidade por doenças coronarianas é 4 a 5 vezes maior nesses indivíduos quando comparados com outros indivíduos que não apresentam diabetes (Cardoso e colaboradores, 2007).

A atividade física nos diabéticos funciona como um elemento essencial do tratamento, assim como também os medicamentos e a dieta alimentar. (Fechio e Malerbi, 2004).

Além dos benefícios descritos acima, os exercícios auxiliam na redução corporal diminuindo muitas vezes a necessidade de medicação e melhorando a resistência insulínica.

Um problema enfrentado pela equipe de saúde é a baixa adesão dos diabéticos ao exercício físico.  Um estudo realizado por Fechio e Malerbi (2004) aponta que apenas 19 a 30% dos pacientes portadores de DM aderem às prescrições de exercícios. Essa baixa adesão pode estar relacionada a algumas dificuldades enfrentadas no início de um programa de exercícios, tais como mal-estar decorrente de cansaço, dores musculares, episódios de hipoglicemia, entre outras.

Um fator que ficou evidente nesse estudo foi a participação/envolvimento familiar no programa de exercício físico. A adesão do diabético é maior quando existe o apoio familiar. Isso foi reforçado em outros estudos (Castaneda e colaboradores, 2002; Cardoso e colaboradores, 2007; Arsa e colaboradores, 2009) que mostram que a família tem uma forte influência sobre o estilo de vida e os comportamentos de saúde dos portadores de diabetes mellitus.

 

diabetes

 

Qual exercício o diabético deve fazer?

Que o exercício físico é benéfico para o paciente diabético ninguém tem dúvida. Agora o que se deve ter em mente e ser ressaltado é que o beneficio do exercício em melhorar as alterações metabólicas do diabetes é provavelmente maior quando usado precocemente. Ou seja, a inclusão de exercícios desde o início da descoberta da doença, ou mesmo em pacientes considerados intolerantes a glicose (pré-diabético) consegue diminuir a progressão da doença.

Importante ressaltar que antes de iniciar um programa de exercício, o indivíduo com diabetes mellitus deve ser submetido a uma avaliação médica detalhada com estudos diagnósticos apropriados. Estes exames devem, cuidadosamente, investigar a presença de complicações da própria diabetes que possam ser agravadas pelo programa de exercício.

Isso permitirá a elaboração de uma prescrição individualizada de exercício que pode minimizar o risco para o paciente.

Qual a recomendação de exercício para o diabético?  

As recomendações para a prescrição do exercício aeróbio devem incluir os seguintes componentes:

  • Frequência: 3-7 dias na semana
  • Intensidade: 50 a 80% do VO2 max, ou 12-16 da escala de percepção subjetiva de esforço que vai de 6 a 20. (escala de BORG)
  • Tempo: 20-60 min/dia contínuo ou acumulado em sessões de pelo menos 10 min cada até um total de 150 min por semana de moderada intensidade.
  • Tipo: Enfatizar as atividades que utilizam os grandes grupos musculares de uma maneira rítmica e continua.

Devem ser levados em conta o interesse pessoal e os objetivos desejados do programa de exercícios.

Diabetes e musculação

O treino resistido (musculação) deve ser encorajado para as pessoas com diabetes na ausência de contraindicações, acometimento da retina e de tratamentos recentes a laser.

O treinamento de musculação deve seguir os seguintes componentes:

  • Frequência: 2-3 dias por semana com pelo menos 48h separando as sessões de exercícios.
  • Intensidade: 2 a 3 séries de 8-12 repetições com 60 -80% da carga máxima.
  • Tempo: 8-10 exercícios com múltiplas articulações de todos os principais grupos musculares na mesma sessão ou em sessões fragmentadas para grupos musculares selecionados.
  • Tipo: O mais importante da prescrição é enfatizar a técnica correta minimizando a preensão sustentada e o trabalho estático e controlando bem a respiração para prevenir uma resposta de aumento da pressão arterial sistêmica.

O que o diabético precisa saber e estar atento para não ter surpresas desagradáveis durante o exercício físico?

  1. Hipoglicemia (níveis de açúcar sanguíneo baixo) deve ser o principal foco de atenção dos diabéticos.
  2. Monitoramento da glicose sanguínea, antes e pós-exercício. No geral glicemia menor que 100 mg/dl e maior que 300mg/dl. Se estiver menor que 100 deve-se ingerir 20 a 30g de carboidrato simples (um doce simples).
  3. Controlar a medicação que está sendo usada (insulina e hipoglicemiantes orais).
  4. Não aplicar a insulina na região em que vai ser exercitada.
  5. O exercício não deve ser realizado sobre a ação máxima da insulina. Questione seu médico desse tempo.
  6. Sempre realizar os exercícios com um parceiro ou supervisão profissional.
  7. Realizar monitorização periódica dos sinais vitais (frequência cardíaca, pressão arterial e frequência respiratória).

Os pacientes diabéticos devem SIM realizar atividades e exercícios físicos regulares, pois esses vão atuar tanto na melhora das atividades diárias, na qualidade de vida e na prevenção das complicações da diabetes.

Procure um profissional qualificado para não ter surpresas.

Até a próxima!

Dr. Walter Rosamilia siga no Instagram @walterrosamilia

Educador Físico e Fisioterapeuta (METODISTA)
Médico (PUC-CAMPINAS)
Pós Graduado em Fisiologia do exercício e biomecânica (USP-SP)
Pós Graduando em nutrologia (ABRAN)
Residente Medicina Esportiva (USP-SP)
email: walteresportiva@yahoo.com.br
instagram: @walterkantovitz
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