Dicas, Saúde

Diferença entre comportamento sedentário e inatividade física

O sedentarismo não é simplesmente uma categorização ao indivíduo que não pratica atividade física regular, mas sim, a um comportamento diário caracterizado pela quantidade de tempo destinado a um conjunto de atividades que não aumentam significativamente o gasto energético em relação ao repouso.

Este comportamento sedentário tem sido correlacionado com o aumento da obesidade e ao aparecimento de inúmeras doenças, como por exemplo, a diabetes.

sedentario 02

O professor Fabrício Miranda explica como podemos identificar e evitar esse comportamento sedentário:

Os benefícios da prática da atividade física para a saúde e qualidade de vida têm sido amplamente divulgados nos meios de comunicação. Algumas recomendações mínimas de atividades são indicadas na forma de gasto energético diário, ou do nível de atividade em relação à condição de repouso, através do Equivalente Metabólico (METs). O indivíduo mais ativo e que cumpre as recomendações mínimas de atividade, apresenta uma diminuição do risco do desenvolvimento de inúmeras doenças e maior sobre vida.

Porém, muito se tem falado sobre os males do sedentarismo, associando uma pessoa sedentária, àquela que não pratica atividade física regular. Esta pessoa na verdade é inativa fisicamente (nova classificação) e tem seu risco muito mais elevado.

Estudos recentes sobre o tema sedentarismo e atividade física têm identificado e categorizado os indivíduos, não somente pelo seu nível de atividade física, mas sim pelo seu comportamento sedentário, ou seja, pelo conjunto de atividades que o mesmo realiza, as quais não aumentam significativamente o gasto energético acima do basal (repouso).

Essas atividades não chegariam a um impacto maior do que 2 vezes a condição de repouso, ou seja, < 2 METs, sendo elas: assistir televisão, utilizar o computador, ficar sentado no trabalho por muito tempo ou no seu deslocamento e assim por diante.

As evidências indicam que o indivíduo que apresenta excesso de tempo em comportamentos sedentários tem a ele associado uma série de problemas de saúde, independente do nível de atividade física que realiza durante o dia.

O comportamento sedentário não pode ser visto simplesmente como a falta de atividade física, na verdade ele deve ser entendido como uma classe de comportamentos que pode coexistir e também competir com a atividade física. A prática de atividade física, mesmo que cumpram os requisitos mínimos, não afastam os riscos a saúde quando o indivíduo apresenta grande parte do seu dia destinado ao comportamento sedentário.

Um agravante ao comportamento sedentário diz respeito a outros fatores associados como o fumo, estresse, má alimentação que aumenta mais ainda os riscos, e muitas vezes não podem ser contrabalanceados somente com a prática do exercício físico.

Sendo assim, algumas dicas podem  evitar ou diminuir o tempo com um comportamento sedentário:

  • Diminua o tempo assistindo televisão e sentado ao computador;
  • Quebre o seu comportamento sedentário com atividades leves 2 a 3 METs, como ficar de pé, andar no trabalho, subir e descer escadas, cuidar do jardim. O somatório delas contribuirá para o gasto calórico total diário;
  • Faça atividade física regularmente, pelo menos 150 minutos por semana ou um somatório semanal de 500 a 1000kcal;
  • Caso não disponibilize tempo, procure orientação especializada e mexa nas variáveis do exercício e torne seu treinamento mais eficiente e intenso.

Referências Bibliográficas:

Owen N, Leslie E, Salmon J, Fotheringham MJ. Environmental determinants of physical activity and sedentary behavior. Exerc Sport Sci Rev. 2000 Oct;28(4):153-8.

Levine JA, Eberhardt NL, Jensen MD. Role of nonexercise activity thermogenesis in resistance to fat gain in humans. Science. 1999 Jan 8;283(5399):212-4.

Healy GN, Dunstan DW, Salmon J, et al. Television time and continuous metabolic risk in physically active adults. Med Sci Sports Exerc. 2008 Apr;40(4):639-45.

Dumith S. Atividade física e sedentarismo: diferenciação e proposta de nomenclatura. Rev Bras Atividade Física e Saude. 2010;15(4).

Patel AV, Bernstein L, Deka A, et al. Leisure time spent sitting in relation to total mortality in a prospective cohort of US adults. Am J Epidemiol. 2010 Aug 15;172(4):419-29.

Hallal PC, Dumith Sde C, Bastos JP, et al. [Evolution of the epidemiological research on physical activity in Brazil: a systematic review]. Rev Saude Publica. 2007 Jun;41(3):453-60.

Post AnteriorPróximo Artigo