Pergunta ao Doutor

Qual o melhor método anticoncepcional para quem quer ganhar massa muscular?

Método Anticoncepcional

Ganho de massa muscular e emagrecimento

Tem sido comum observar o aumento do interesse das pacientes que comparecem ao meu consultório pela contracepção com DIU (Dispositivo Intra-Uterino). Muitas dessas mulheres, principalmente as mais jovens e as praticantes de atividade física regular (que desejam aumentar a massa muscular ou apenas melhorar o condicionamento cardiovascular), passaram a observar a influência negativa da administração de contraceptivos hormonais.

Problemas das pílulas anticoncepcionais

Sabe-se que as pílulas anticoncepcionais, antigamente difundidas como seguras e usadas por longos anos, têm efeitos adversos que vão desde a retenção líquida, diminuição da libido, predisposição a varizes e trombose / AVC /infarto/ embolia pulmonar, hiperpigmentação da pele quando exposta ao sol (melasmas), entre outros. Tais efeitos são causados, em sua maioria, pelo estrogênio contido nos anticoncepcionais.

O anticoncepcional atrapalha o ganho de massa magra, uma vez que diminui a testosterona, hormônio esteroidal (vindo do colesterol) anabólico, que está presente nas mulheres em um valor cerca de 20-30 vezes menor que nos homens.

Os anticoncepcionais diminuem a testosterona livre disponível para fazer efeito, já que estimulam a produção pelo fígado de uma proteína chamada SHBG (globulina carreadora de hormônios sexuais); essa proteína liga-se a testosterona no sangue de forma muito intensa, o que diminui a testosterona livre, a qual é a forma efetiva desse hormônio. O fígado aumenta as globulinas carreadoras de hormônios porque os hormônios encontrados nos anticoncepcionais são sintéticos (etinilestradiol sintético ao invés do estradiol natural) e não são transportados pelas globulinas ficando disponíveis nos tecidos (etinilestradiol disponível).

Quando o fígado produz mais globulinas carreadoras ele aumenta a captura dos hormônios endógenos, tonando-os indisponíveis.

Quando usamos anticoncepcional oral, estamos ingerindo algo exógeno, e então nosso corpo diminui a produção de hormônios endógenos. Desta forma, os níveis de estradiol, progesterona e testosterona diminuídos, interferem/aumentam os níveis de cortisol, e aumentam a resistência à insulina. Por isso, pode-se perder um pouco da definição abdominal por aumento do diâmetro da cintura, metabolismo lento, diminuição do “bom colesterol” e aumento de peso, além da baixa libido e ressecamento vaginal.

O declínio da testosterona pode gerar um déficit que dificulta a hipetrofia muscular, podendo ocorrer o contrário – catabolismo (dificuldade em manter massa magra), apresentando ainda ganho maior de gordura e até redução da massa óssea, podendo gerar além dessas queixas, outras como flacidez, celulite e retenção hídrica.

Observação importante:

As pacientes que usam anticoncepcional pelo menos deveriam ser avisadas de que ainda se ingerirem a noite, terão bloqueio da produção de Melatonina, diminuição da qualidade das fases do sono, diminuição na produção dos hormônios noturnos como o Gh (hormônio de crescimento), tendência ao ganho de peso, diminuição da imunidade e maior desgaste celular e físico. Outros hormônios que também podem aumentar com o uso da pílula são os hormônios tireoidianos (T4 total) e a prolactina.

Segundo a Dra. Mirella Wermelinger

@renatasoton
@renatasoton

 Conhecendo outros métodos anticoncepcionais – DIU

Preocupadas com esses efeitos e desejando melhorar a qualidade de vida, as mulheres começaram a estudar essa questão juntamente com seus médicos, tentando buscar uma contracepção mais segura e duradoura, e muitas se decidiram pelo DIU. Muitos questionamentos vieram a partir disso.

Há algumas décadas, só se recomendava o DIU para pacientes que já haviam tido filhos, pelo medo do mesmo ser um facilitador para as infecções pélvicas. Realmente, ele facilita a ascensão de germes do colo (canal cervical) para a cavidade endometrial e trompas, então deve-se advertir a paciente de que o DIU está contra-indicado para uso com liberação sexual, pelo contrário, a paciente deve ter parceiro fixo e ambos comportamento de baixo risco. Caso contrário, as DIPs (Doenças Inflamatórias pélvicas) decorrentes do uso do DIU em condições não ideais podem sim comprometer a taxa de fertilidade do casal.

Explicadas essas condições, o DIU hoje não está contra-indicado em pacientes sem filhos (nulíparas).

Todas as pacientes candidatas a colocar DIU devem realizar uma avaliação com seu ginecologista de confiança e um rastreio com exames para descartar gravidez (beta hCG) e para pesquisa de germes que possam colonizar seu aparelho reprodutor mesmo sem causar sintomas, por exemplo, a Chlamydia trachomatis. Caso seja negativo para Chlamydia, o risco de aplicar o DIU torna-se baixo.

Também realiza-se uma ultrassonografia transvaginal para avaliar o tamanho do útero (bem como para descartar pólipos, miomas) e escolher qual o DIU mais indicado.

Existem basicamente 2 tipos de DIU no mercado:

  • hormonal (contendo somente progesterona)
  • não hormonal (contendo apenas cobre, que torna o meio uterino desfavorável para uma gestação).

Cerca de 70-80% das usuárias de DIU optam pelo DIU de cobre, com validade de 5 a 10 anos dependendo do modelo, sendo que um inconveniente do mesmo é o aumento do fluxo e das cólicas menstruais. Para casos específicos (cerca de 20%) de pacientes que não desejam ou que seja recomendação médica não mestruar (por exemplo, pacientes com endometriose profunda) fica a opção do DIU hormonal (só de progesterona, sem os efeitos colaterais do estrogênio), cuja duração é de 5 anos.

Para algumas atletas maratonistas com período menstrual difícil que implica em queda do rendimento físico, por vezes, indica-se o DIU hormonal para suspender a menstruação.

Para todos os tipos de DIU, após a colocação, deve-se realizar uma ultrassonografia transvaginal de controle para avaliar o posicionamento, cerca de 15-20 dias após o procedimento.

A inserção do DIU (seja hormonal ou de cobre) é feita em 90% dos casos em consultório médico, procedimento quase indolor que dura menos de 5 minutos. Apenas 10% necessitam de sedação e ambiente hospitalar. Hoje em dia, com o advento da vídeo- histeroscopia (endoscopia uterina), isso veio ser facilitado, até mesmo para úteros com tortuosidades acentuadas do canal cervical, ou com cicatriz hipertrófica de cesariana. A histeroscopia serve também para avaliar se há inflamação na cavidade uterina que irá receber o DIU (como também a presença de pólipos, miomas que nem sempre são vistos em ultrassom), o que torna o procedimento mais seguro e diminui o risco de perfurações uterinas bem como de mau-posicionamento do dispositivo.

A vídeo-histeroscopia pode ainda atuar no reposicionamento de DIUs que encontravam-se deslocados na ultrassonografia de controle, não necessariamente tendo que retirar o DIU e implantar um novo.

Há cerca de 2-3 anos, os planos de saúde ficaram obrigados por lei federal a arcar com as despesas tanto da aquisição quanto despesas médicas de colocação e reposicionamento do DIU nas suas beneficiárias, ou seja, para a paciente o custo é ZERO. Espero ter esclarecido algumas dúvidas e / ou curiosidades sobre esse assunto. Para maiores informações, consulte um médico ginecologista especializado no assunto.

Texto:

Dra. Mirella Wermelinger                            CRM: 5272300-2

Ginecologia/Obstetrícia e especializada em vídeo-histeroscopia.

Email: mirellawermelinger@ig.com.br         Endereço: Rua 2 de Dezembro 38, sala 210 . Flamengo, RJ.   Tel: 21 2225-6149

Marcello Paiva
Idealizador do portal @30tododia
Professor de Educação Física – UFRJ
Pós graduação em Fisiologia do Exercício e Programação Neurolinguística.
Coaching deTreinamento / Palestrante Motivacional
Consultas: 21 2529-6473
Email: marcellopaiva@30tododia.com.br
Post AnteriorPróximo Artigo
Marcello Paiva
Idealizador do portal @30tododia Professor de Educação Física - UFRJ Pós graduação em Fisiologia do Exercício e Programação Neurolinguística. Coaching deTreinamento / Palestrante Motivacional Consultas: 21 2529-6473 Email: marcellopaiva@30tododia.com.br