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O que é, para que serve e como tomar Melatonina

Descubra os segredos da Melatonina

A melatonina vem sendo alvo de inúmeras discussões desde que, em outubro do ano passado, por determinação da justiça, houve a autorização para importação e comercialização do insumo farmacêutico melatonina para manipulação de medicamentos. Isso significa que a melatonina não é proibida no Brasil, o que é proibido é a sua comercialização em escala industrial, já que não há registro dessa substância na Anvisa.

Deixando de lado a questão burocrática, o que mais interessa nesse momento é expor o que é, para que serve e para quem deve ser indicada a melatonina.

O que é a melatonina: 

A melatonina é um hormônio produzido pela glândula pineal, no cérebro, a partir de uma outra substância chamada serotonina, através da estimulação do sistema nervoso simpático. Normalmente, a produção da maioria dos hormônios está ligada diretamente à quantidade do próprio hormônio que temos no organismo (regulam para cima ou para baixo dependendo da sua concentração). No caso da melatonina não, já que sua produção está intimamente ligada à iluminação ambiental que ocorre durante as 24h do dia.

Especificamente, sua produção acontece à noite, aproximadamente 2 horas antes do horário habitual de dormir, e seus níveis máximos ocorrem entre 3 e 4 horas da manhã, com uma certa variação entre as pessoas.

Detalhe importante sobre a melatonina:

“Um dado relevante, que muitos de nós não damos importância, é o fato de que um pequeno feixe de luz advindo de um aparelho eletrônico no modo stand by, por exemplo (principalmente a luz azul) no ambiente escuro, leva a um bloqueio parcial ou até mesmo total da sua produção. Esse hábito tão banal de não dormir num ambiente totalmente escuro vai atrapalhar um dos aspectos mais importantes das funções desse hormônio: a regulação/controle do ciclo sono e vigília, do metabolismo energético entre outros.” Afirma Dr. Walter Kantovitz.

Devido a suas características particulares de exercer várias ações e várias funções no nosso organismo, a melatonina se tornou objeto de intensos estudos na área médica envolvendo quase todas as especialidades.

O que dizem os estudos sobre melatonina:

Hoje, por exemplo, se buscarmos em bases de dados científicos, como PUBMED, o termo “Melatonin” o resultado será de mais de 22 mil artigos registrados sobre o assunto. Os estudos comprovando bons resultados abrangem as mais diversas áreas, além daquelas que abordam as questões das alterações do sono. Para se ter uma ideia existem trabalhos bem elaborados mostrando bons resultados em relação às alterações neurológicas, doenças degenerativas, enxaquecas, distúrbios depressivos, coadjuvante no tratamento antitumoral/antimetastático, agente limitador das lesões pós-isquêmicas, doenças metabólicas, síndrome do ovário policístico, ação imunomoduladora, ação anti-inflamatória, ação antioxidante e ação cronobiológica (que regula os ritmos biológicos do nosso organismo), entre outras.

Quando falo da minha especialidade médica – Medicina do Esporte e Nutrologia – temos vários usos da melatonina, como por exemplo, na correção dos distúrbios causados pelo jet-lag fuso horário de atletas em viagens de longas distâncias para outros continentes.

 

Melatonina como regulador do metabolismo energético:

A melatonina exerce um papel importante na regulação do metabolismo energético. Existem trabalhos interessantes mostrando que a ausência ou mesmo a diminuição da produção de melatonina deixam os indivíduos mais predispostos a desenvolver alterações no ritmo da fome/saciedade (atuando de maneira central), na secreção e ação da insulina no organismo e consequentemente alteração no metabolismo energético com grande possibilidade no desenvolvimento da obesidade.

Ainda em relação à Nutrologia, a melatonina tem um papel importante em quase todos os processos que atuam na regulação do dispêndio de energia do organismo, principalmente na síntese e liberação dos hormônios (cortisol, glucagon, insulina), sendo mais um fator para contribuir para obesidade se seus níveis estiverem deficientes.

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Opinião do especialista:

Não gosto de dizer em minha prática clínica que existem “super- alimentos”, “super-suplementos”, nem mesmo “super-hormônios” ou “medicamentos mágicos”, mas realmente, nos dias atuais, a melatonina tem se mostrado uma arma terapêutica em vários sistemas, e se bem indicada, pode trazer excelentes resultados.

A dose vai variar dependendo do objetivo de uso. Se a busca é simular a produção habitual do hormônio para casos de alterações no sono, normalmente uma dose baixa de 0,2 a 0,5mg/dia 30 minutos antes de dormir já é o suficiente.

Se a utilização da melatonina for para minimizar os efeitos do jet lag, a dose proposta é de 3 mg na noite em que o atleta chegou ao destino, prolongando o uso por mais uma semana toda noite.

Deu para perceber que não existe uma receita pronta. A dose deve ser usada e aumentada de maneira progressiva e individualizada, sempre com prescrição médica.

Texto:

Dr. Walter Kantovitz siga no Instagram @walterkantovitz

Marcello Paiva
Idealizador do portal @30tododia
Professor de Educação Física – UFRJ
Pós graduação em Fisiologia do Exercício e Programação Neurolinguística.
Email: marcellopaiva@30tododia.com.br
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Marcello Paiva
Idealizador do portal @30tododia Professor de Educação Física - UFRJ Pós graduação em Fisiologia do Exercício e Programação Neurolinguística. Email: marcellopaiva@30tododia.com.br