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Glutamina: o que é, para que serve e como tomar

Glutamina

O que é a glutamina?

Glutamina é um aminoácido, classificado como não essencial (pois pode ser produzido pelo próprio organismo a partir de outros aminoácidos). Entre os aminoácidos é o mais abundante em nosso organismo, tanto no tecido muscular quanto no sangue, e é sintetizada a partir do glutamato.

Quais as funções da glutamina?

  • Atua no sistema antioxidante do organismo.
  • Atua no equilíbrio ácido base.
  • Atua na síntese proteica (anabolismo)
  • Age no desenvolvimento e proliferação celular.
  • Participa da gliconeogênese (formação de nova molécula de glicose).
  • Atua no sistema imunológico (defesa) dos indivíduos.
  • Atua em vias de sinalização celular (proteínas de choque térmico).
  • Contribuem no equilíbrio celular na presença de um agente agressor.

Quantidades de glutamina produzidas pelo organismo:

O principal local de formação de glutamina é o músculo esquelético. A quantidade que este tecido sintetiza é de 1.200mmol/dia.

O organismo possui a capacidade de liberação e produção elevada, principalmente em situações de estresse dos tecidos.

O exercício físico está como um dos fatores estressantes para liberação e consumo desse aminoácido. Muitas vezes o consumo é maior que a produção.

O catabolismo proteico (muscular) produz de maneia direta a glutamina.

O glutamato é responsável por 40% da síntese de glutamina.

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Quantidades de glutamina consumidas pelo organismo:

Os estoques desse aminoácido podem ser gastos em até 7 horas dependendo do tipo de musculatura utilizada no exercício.

Isso ocorre porque a fibra muscular do tipo I (Oxidativa/aeróbia) possui estoques de glutamina até três vezes mais que a fibra muscular tipo II (Glicolítica/anaeróbia)

Concentração plasmática de glutamina durante e após o exercício:

Durante exercícios intensos e prolongados, ocorre uma diminuição de glutamina, pois há uma maior captação deste aminoácido pelos rins, fígado e intestino para suprir a necessidade de síntese de novas moléculas de glicose.

Outro fator que contribui para diminuição da glutamina durante o exercício é a leucocitose (aumento de células de defesa do organismo) que ocorre durante a atividade, pois provavelmente essas células consomem glutamina no esforço.

Além disso, durante o exercício físico ocorre a diminuição do glicogênio muscular, o que afetaria a formação de glutamina. Outro fator seria a menor liberação de glutamina do músculo esquelético, em casos de exercícios intensos.

Leia: O que é, para que serve e como tomar Creatina?

glutamina

Suplementação de glutamina:

Os fundamentos para utilizar sua suplementação são:

  1. Aumento do efeito anabólico, ou seja, da síntese proteica e/ou redução do efeito anticatabólico, ou seja, da destruição muscular.
  2. Substrato para gliconeogênese.
  3. Servir como substrato do sistema imunológico evitando a imunossupressão após exercício intenso.
  4. Por atuar na produção de glicogênio e de neurotransmissores

De maneira geral a dose de glutamina deve ser de 5 a 20mg 1x/dia pós-treino, quando indicada.

RESUMINDO:

Cientificamente reconhecida, a glutamina é de fato muito importante para praticantes de exercícios físicos de alta intensidade e prolongados. Além disso, a glutamina é essencial para bom desempenho do sistema imunológico (defesa), pois nossas células de defesa dependem desse aminoácido como fonte de energia.

No exercício físico ocorre aumento de corticoide endógeno (do próprio organismo) e de ácido lático (produto do exercício anaeróbio), e esses são responsáveis pela diminuição dos estoques de glutamina do organismo.

A glutamina, por sua vez, é capaz de elevar as taxas de glicogênio (substrato energético estocado no fígado e músculo esquelético) além de funcionar como fonte para a via gliconeogênica (formação de novas moléculas de glicose).

Quando bem indicada, a suplementação de glutamina pode auxiliar os atletas de resistência, pois os exercícios provocam queda do número de células de defesa bem como sua eficiência.

Nutricionista Marcelo Langsdorff e o Dr. em Medicina do Esporte Dr. Walter Kantovitz.

ALGUMAS EVIDÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

  •  (Welbourne et al.1998) encontraram a concentração plasmática de bicarbonato e de hormônio do crescimento aumentada após ingestão de glutamina.
  • (Déchelotte et al.1991) verificaram que, no estado pós-absortivo, a suplementação oral com glutamina em indivíduos saudáveis e sedentários promoveu aumento na concentração de glutamina e glutamato plasmáticos. Em atletas no estado de repouso,
  • (Castell e Newsholme1997) observaram que a concentração plasmática de glutamina aumentou cerca de 30 minutos após a ingestão oral de uma solução com L-glutamina (100mg/kg de peso corporal), podendo retornar aos valores basais no decorrer de aproximadamente duas horas.
  • (Bowtell et al.1999) em indivíduos fisicamente ativos, verificaram o efeito da suplementação oral com L-glutamina sobre a quantidade de glutamina no sangue e os estoques de glicogênio muscular, após sessão de exercício intenso de corrida. A suplementação (8g de glutamina em 330mL de água) aumentou a concentração plasmática de glutamina durante o período de recuperação em 46% dos indivíduos.
  •  (Keast D 1995) verificou que indivíduos submetidos a um período de dez dias de treinamento intenso, com tempo insuficiente de repouso entre as sessões, apresentaram redução de 50% na concentração plasmática de glutamina. Há evidências de que, em exercícios intensos e prolongados, a ingestão de fluidos contendo glutamina reduz a incidência de infecções no trato respiratório.
  • (Castell LM et.al;1996) demonstrou a eficiência de uma suplementação de glutamina em diminuir a incidência de infecções em atletas durante sete dias após exercício prolongado.  No grupo placebo, foi observada incidência de infecções em 51% dos atletas, enquanto no grupo suplementado esta foi de apenas 19%.

 

BIBLIOGRAFIA:

1)    BOWTELL, J. L. et al. Effect of oral glutamine on whole bod carbohydrate storage and muscle glycogen resynthesis during recovery from exhaustive exercise. J Appl Physiol.1999; 86(6): 1770-1777.

2)    Castell LM, Poortmans JR, Leclercq R, Brasseur M, Duchateau J, Newsholme EA. Some aspects of the acute phase response after a marathon race, and the effect of glutamine supplementation. Eur J Appl Physiol. 1997;75:47-53.

3)    Castell LM, Poortmans JR, Newsholme EA. Does glutamine have arole in reducing infections in athletes? Eur J Appl Physiol 1996;73:488-90.

4)    Déchelotte P, Darmaun D, Rongier M, Hecketsweiler B, Rigal O, Desjeux J. Absorption and metabolic effects of enterally administered glutamine in humans. Am J Physiol. 1991;260:G677-82.

5)    Keast D, Arstein D, Harper W, Fry RW, Morton AR. Depression of plasma glutamine concentration after exercise stress and its possible influence on the immune system. Med J Aus 1995;162:15-8.

6)    Moreira A, Kekkonen RA, Delgado L, Fonseca J, Korpela R, Haahtela T. Nutritional modulation of exercise-induced immunodepression in athletes: a systematic review and meta-analysis. Eur J Clin Nutr. 2007;61:443-60.

7)    Rennie MJ, Bowtell JL, Bruce M, Khogali SEO. Interaction between glutamine availability and metabolism of glycogen, tricarboxylic acid cycle intermediates and glutathione. J Nutr. 2001;131:2488S-90S.

8)    WELBOURNE, T. et al. An oral glutamine load enhances renal acid secretion and function. Am J Clin Nutr.1998;67(4): 660-663.

Nutricionista Marcelo Langsdorff e o Dr. em Medicina do Esporte Dr. Walter Rosamilia.

Educador Físico e Fisioterapeuta (METODISTA)
Médico (PUC-CAMPINAS)
Pós Graduado em Fisiologia do exercício e biomecânica (USP-SP)
Pós Graduando em nutrologia (ABRAN)
Residente Medicina Esportiva (USP-SP)
email: walteresportiva@yahoo.com.br
instagram: @walterkantovitz
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Educador Físico e Fisioterapeuta (METODISTA) Médico (PUC-CAMPINAS) Pós Graduado em Fisiologia do exercício e biomecânica (USP-SP) Pós Graduando em nutrologia (ABRAN) Residente Medicina Esportiva (USP-SP) email: walteresportiva@yahoo.com.br instagram: @walterkantovitz