Pergunte ao Nutricionista

Dieta Cetogênica – Fazer ou não fazer?

Dieta Cetogênica

Fazer ou não fazer?

Antes de começar qualquer tipo de dieta é importante entender o que acontece com o seu corpo. Convocamos a nutricionista Carol França para esclarecer esse assunto, Dieta Cetogênica.

O que é Cetose?

A cetose é um estado metabólico no qual o organismo obtêm energia de moléculas chamadas de corpos cetônicos. Estes corpos cetônicos são produzidos pelo fígado durante períodos de restrição de alimentos (jejum) ou uma dieta low carb (com baixo carboidrato).

A dieta cetogênica tradicional foi criada pelo Dr Robert Atkins. Foi publicada em seu livro em 1972 chamado: “A dieta revolucionária do Dr Atkins”.

Defendendo a ideia de que a causa da epidemia de obesidade dava-se não pelo excesso de gordura, mas sim do consumo excessivo de carboidratos. Principalmente os carboidratos refinados como açúcar e trigo.

Hoje a grande maioria da população come mais carboidratos do que há 100 anos atrás.
Os carboidratos são encontrados nos pães, massas, bolos, chocolates, sorvete, biscoitos.

Na dieta cetogênica, todos esses alimentos são eliminados. Entretanto, tudo que não é carboidrato, ou seja, proteínas e gordura é consumido à vontade, sem visar quantidades, como salmão, picanha, bacon, queijos brancos, ovos, creme de leite, etc.

dieta cetogênica

Entendendo a Cetose

A cetose é o momento em que nosso corpo utiliza a gordura como fonte de energia.
Uma das vantagens da dieta cetogênica é que seu corpo não fará mais picos de insulina que ocasionam as terríveis gorduras localizadas.
Portanto, quando não se tem mais picos de insulina, não há sinal para o tecido adiposo fazer lipogênese (formação de gordura). Além disso, não haverá inibição do hormônio do crescimento. Todo esse conjunto de fatores resulta no emagrecimento.

Como funciona a dieta Cetogênica?

Obviamente, existe algo chamado individualidade pessoal biológica.
Mas, de um modo geral, os primeiros 3 dias são os mais difíceis, pois podem ocasionar tontura e dor de cabeça. A dieta é dividida em fases:

  • Primeira Fase Indução:

Durante essa fase o consumo de carboidratos é limitada e demora 2 semanas para ser concluída e auxilia o corpo a entrar no estado da cetose.
São permitidos apenas 12 e 15 gramas de carboidrato por dia, e deverão vir de verduras e legumes.
A fase seguinte permite a reintrodução de alguns carboidratos, mas apenas até o nível onde ainda ocorra perda de peso. A cada semana poderão ser introduzidos 5 gramas de carboidrato.

  • Segunda Fase Pré-manutenção:

A cada semana aumenta-se 10 gramas de carboidrato até o ponto em que o indivíduo pare de perder peso, mas também não ganhe peso. E alimentos proibidos passam a ser permitidos no cardápio uma vez na semana.

  • Terceira Fase Manutenção:

Os indivíduos buscam manter os hábitos aprendidos nas fases anteriores e ocorre a manutenção do peso.

Existem efeitos colaterais?

A literatura tem mostrado que as dietas hiperlipídicas possuem pequena adesão com o passar do tempo e, quando abandonadas e seguidas de alimentação normal, aumentam a eficiência metabólica e promovem obesidade. Mesmo com atividade física, após a realização destas dietas, é difícil ocorrer mobilização dos depósitos de
lipídeos, causando o conhecido efeito “ioiô” (ESTADELLA, 2001; FRICKEN et al.,1991).

Alguns profissionais da nutrição não aprovam a eliminação total dos carboidratos da dieta. Alguns defendem que uma dieta baseada em proteínas e gorduras oferecem riscos como: degradação dos rins e doenças do coração.

Segundo Martin WF Armstrong LE Rodriguez, um artigo publicado em setembro de 2005 diz que o aumento do consumo protéico é uma das estratégias de perda de peso e obesidade, porém, é um fator de risco para doença renal.

A filtração glomerular (uma medida do funcionamento renal) aumenta com o aumento do consumo de proteínas. Em pacientes com doença renal pré-existente, o consumo de proteínas parece estar associado a uma queda progressiva da função renal. Já em pacientes com função renal normal, não foi encontrada nenhuma associação.

A despreocupação da dieta Atkins com a ingestão de alimentos saudáveis e com a reeducação alimentar pode provocar sérios riscos a saúde a longo prazo (PONTES, 2000).

Dito isso, tenha cuidado com dietas da moda, mais cuidado ainda com dietas muito restritivas. Consulte um nutricionista para adequar uma dieta para o seu individualismo. Pratique atividade física. Busque seu equilíbrio.

Referências:

Livro “A Dieta Revolucionária do Dr Atkins” 1972.

PONTES, L. M. B. Por que reeducar em grupo? Jornal do Conselho
Federal de Nutrição, Brasília, v.6, n.2, p.7, 2000.

Stringhini, Maria Luiza Ferreira, Janaina Macêdo Costa Silva, and Fernanda Granja de Oliveira. “Vantagens e desvantagens da dieta Atkins no tratamento da obesidade.” Salusvita 26.2 (2007): 153-64.

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC1262767/?tool=pubmed
Acesso em 10 de agosto de 2016.

Nutricionista formada pela Faculdade Federal do Estado do Rio de Janeiro
Pós-graduada em Ortomolecular e Nutrigenômica
Pós-graduanda em Fitoterapia
Meu email é nutricarolfranca@gmail.com
Post AnteriorPróximo Artigo
Nutricionista formada pela Faculdade Federal do Estado do Rio de Janeiro Pós-graduada em Ortomolecular e Nutrigenômica Pós-graduanda em Fitoterapia Meu email é nutricarolfranca@gmail.com