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Conheça a APCC, a primeira Área de Proteção ao Ciclismo de Competição no Brasil

Área de Proteção ao Ciclismo

Às vezes algo mais sério precisa acontecer para que uma mobilização ocorra em prol de melhorias. Infelizmente foi dessa forma que o tema da segurança dos ciclistas que treinam para competições na rua passou a ser abordado com mais frequência. No dia 30 de abril de 2013 enquanto pedalava com um grupo de 20 atletas, o dentista e triatleta Pedro Nikolay com 30 anos de idade foi atropelado por um ônibus que avançou o sinal vermelho às 5h50 da manhã na Avenida Vieira Souto em Ipanema e faleceu. Foi o estopim para os ciclistas cariocas que já reivindicavam uma área segura para treinos desde muito tempo antes do ocorrido.

Foi nesse cenário que o representante da Associação de Triathlon Master, Raphael Pazos, resolveu contactar pessoas que compartilhavam de seus questionamentos e criou a CSCRJ, Comissão de Segurança no Ciclismo da Cidade do Rio de Janeiro com um objetivo bem claro:

Assegurar o uso da bicicleta, cobrando a aplicação das leis e propondo alterações ou implementações que resultem na educação e conscientização da população da cidade do Rio de Janeiro, garantindo o direito de ir e vir de todos.”

 

Área de Proteção ao Ciclismo

A primeira da vitória da CSCRJ veio em pouco tempo e já foi um marco na história da cidade. Apenas 20 dias após a tragédia em Ipanema, em maio de 2013, foi publicada a portaria da Companhia de Engenharia de Tráfego do Rio de Janeiro, CET-Rio, que regulamenta a criação da Área de Proteção ao Ciclismo de Competição, a APCC. Das 4h às 5h30, de segunda a quinta, as pistas do Aterro do Flamengo passaram a ter o trânsito interditado proporcionando uma área destinada exclusivamente à prática do ciclismo. A determinação foi fruto de uma reunião no gabinete do prefeito Eduardo Paes, com o secretário de Transportes, Carlos Osorio; representantes da Federação de Triathlon, Julio Alfaya e Rodolfo Mattos; o representante da Associação de Triathlon Master e da CSCRJ, Raphael Pazos; a representante da Federação de Ciclismo, Rita Almeida; e o ciclista Walter Tuche.

Área de Proteção ao Ciclismo

 

Pratico o ciclismo nas ruas do Rio há mais de 18 anos, principalmente no Aterro do Flamengo. A criação de uma área desse tipo é um marco para todos que praticam o esporte na cidade. Em 1997 fui atropelada, quando vinha treinar no Aterro. Duas vezes por semana, terça e quinta-feira, treino os meus alunos aqui e sempre sofremos com a falta de segurança.” – disse Márcia Ferreira na época da inauguração da APCC em entrevista para o jornal O Globo

Por que os ciclistas não treinam na ciclovia?

 

Área de Proteção ao Ciclismo
A resposta é bem simples. Cada ciclovia possui um conjunto de regras específico, porém em sua maioria existe um limite de velocidade de 30 Km/h, como é o caso da ciclovia da orla do Rio de Janeiro. A barreira dos 30 Km/h é facilmente ultrapassada pelos ciclistas de alta performance. Para se ter uma ideia, no Tour de France, a prova mais conhecida do mundo, a velocidade pode superar 80 Km/h em alguns trajetos. Sendo assim, a única alternativa de local de treino passa a ser as vias que também são utilizadas por automóveis. A alta velocidade das bicicletas aliada à falta de respeito por parte de alguns motoristas representam um grande risco para os atletas. A APCC surgiu para eliminar esse risco.

Seu modelo de funcionamento pode ser replicado em qualquer outra cidade para incentivar e proteger a prática do ciclismo. Recentemente foi inaugurada a segunda APCC do Rio de Janeiro na Barra da Tijuca, mais uma importante conquista da CSCRJ. A área fica localizada na Cidade das Artes e funciona de terça à sexta das 5h às 8h30.

Uma breve História do Ciclismo

Área de Proteção ao Ciclismo

Iniciado como esporte em meados do século XIX na Inglaterra, o ciclismo é basicamente uma corrida de bicicleta em que o objetivo é chegar primeiro a determinada meta ou cumprir um percurso no menor tempo possível. É considerado uma modalidade olímpica desde a primeira edição moderna dos jogos de Atenas em 1896. A participação de mulheres nas provas só se tornou possível a partir de 1984. Podemos dividir o esporte em quatro categorias:

  • Provas em Estradas
  • Provas em Pista
  • Mountain Bike (veja mais em nosso post)
  • BMX

O Respeite foi conversar com o presidente da CSCRJ Raphael Pazos. Confira abaixo a entrevista:

Área de Proteção ao Ciclismo
Raphael Pazos, presidente da CSCRJ – Foto por André Lima

Qual a importância da APCC para a cidade do Rio de Janeiro?

A importância da APCC não é apenas para a Cidade do Rio de Janeiro e sim para todas as cidades brasileiras. Todas as APCC’s serão uma homenagem a todos os ciclistas que ficaram com graves sequelas ou que tiveram sua vida interrompida por causa de acidentes durante o treinamento. A exemplo: hoje temos a APCC ATERRO – CIRCUITO PEDRO NIKOLAY e em breve teremos a APCC RESERVA – CIRCUITO GUILHERME PAIVA em homenagem ao ciclista Guilherme que foi atropelado na Barra da Tijuca durante seu treinamento em Julho deste ano. As APCC’s representam todos os ciclistas que se foram e servirão para que os novos adeptos a essa modalidade esportiva saibam que se hoje eles possuem um local seguro para treinar é justamente devido a todos os nossos amigos ciclistas que partiram.

Até pouco tempo tínhamos o autódromo e o velódromo para treinar, contudo depois da demolição de ambos apenas nos restou as vias publicas. A maioria das pessoas desconhece, mas o ciclismo é o esporte que mais mata no mundo, pois os treinamentos são realizados no mesmo local onde circulam os automóveis. Sendo assim, por causa do aumento de número de acidentes devido justamente ao aumento do numero de adeptos a essa modalidade olímpica e a falta de locais seguros para se treinar, logo após a morte do triatleta Pedro Nikolay, o Prefeito Eduardo Paes criou um decreto onde o Aterro do Flamengo foi o local escolhido para o treinamento seguro de ciclismo. Surgiu então a 1ª Área de Proteção ao Ciclismo de Competição do MUNDO!!! Em nenhum lugar do mundo existe uma área onde o poder publico se responsabiliza pela segurança dos ciclistas, seja garantindo o contato zero com os carros, seja garantindo o risco zero contra assaltos e roubos a bicicletas.

A CSCRJ tem como objetivo ajudar o poder público a entender nossas necessidades para que eles possam atuar de forma mais eficaz em prol desta modalidade esportiva que vem crescendo exponencialmente não apenas no RJ mais em todo o Brasil.

Cabe aqui relatar que, mesmo a CSCRJ sendo criada a partir do Ciclismo Esportivo, como o passar do tempo voluntários das demais ciclo-tribos somaram esforços a nossa comissão de segurança e atualmente atuamos em praticamente todos os tipos de segmentos onde a bicicleta é utilizada: lazer, turismo, esporte, trabalho e transporte.”

Passado mais de um ano após a instalação da primeira APCC, é possível perceber mudanças na prática do esporte?

Atualmente cerca de 200 ciclistas e triatletas treinam diariamente de 3ª a 5ª feira das 4h às 5h30 na APCC ATERRO DO FLAMENGO. Posso afirmar que a principal mudança almejada foi atingida: conseguimos minimizar significativamente o número de acidentes (fatais ou não) envolvendo carros e ciclistas de competição em nossa Cidade.

Demais consequências positivas com a criação da APCC foram:

1)  Aumento do número de adeptos a modalidade olímpica ciclismo em virtude justamente de existir um local seguro para treinamento. Por exemplo, antes da criação da primeira APCC, pais e mães entravam em contato com as Federações de Ciclismo e de Triathlon do Estado do RJ perguntando onde seus filhos (que desejavam entrar para o ciclismo) iriam realizar os treinos e, pela falta de um local seguro, os mesmos eram desestimulados a ingressar nesse esporte.

2) Após a criação da primeira APCC notamos um crescimento no número de ciclistas PNE (portadores de necessidades especiais) assim como o de crianças entre 11 a 18 anos. E, foi justamente pensando nesse público que no dia 12/08/2014 foi criada a 1ª APCC (Área de Proteção ao Ciclismo de Competição) da Barra da Tijuca (a 2ª do RJ): APCC CIDADE DAS ARTES que funciona das 3ª às 6ª feiras das 5h às 8h30 e EXCEPCIONALMENTE às 3ª e 5ª feiras das 7h30 as 8h30 a APCC CIDADE DAS ARTES é de uso exclusivo da 1ª Escolinha de Ciclismo da Barra para crianças entre 11 e 18 anos, que é ministrada pela Federação de Ciclismo do Estado do RJ em parceria com a Associação Elite Bike Rio e Ascagel.

3) A APCC também contribui muito para o aumento de performance dos ciclistas e triatletas mais experientes que, mesmo a maioria sendo amadores, competem a nível nacional e internacional. Ter um local de treinamento onde o ciclista não precisa se preocupar em ser atropelado por um carro, faz com que o treinamento tenha um melhor rendimento e aproveitamento e sem dúvida os resultados nas competições são cada vez melhores.”

Atualmente contamos com 2 APCC’s na cidade do Rio. Existe previsão para a instalação de novas áreas na cidade?

Sim, já está em fase final o projeto para a criação da 3ª APCC no Rio de Janeiro. Será na Barra da Tijuca no trecho da Reserva.
No dia 04 de Setembro membros desta Comissão de Segurança estiveram reunidos pela última vez com representantes da CET RIO e Subprefeitura da Barra.

Depois de reuniões exaustivas e super produtivas que culminaram tanto na identificação do trecho da Reserva como o melhor local na Barra da Tijuca para a criação da próxima APCC, como também na realização do projeto final elaborado pela Cet Rio visando proporcionar o máximo de SEGURANÇA possível para a prática do ciclismo de competição neste referido local, estamos nos preparando para o PRÓXIMO E ÚLTIMO PASSO desta MISSÃO em prol da modalidade esportiva ciclismo em nossa cidade: a Aprovação do Projeto de Fresagem, Recapeamentoe Pintura dos 3.7km de extensão pela Secretaria de Conservação no comando de nosso amigo ciclista Belchior, Secretário de Conservação.

Cabe aqui mencionar que a continuidade nas criações das APCC’s não seria possível sem a ajuda da Vereadora Laura Carneiro que em Julho de 2013 abraçou a nossa causa e elaborou um Projeto de Lei (baseado no decreto original do Prefeito) que por sua vez virou Lei em 31 de Março de 2014. E, por isso e somente por isso, hoje temos como pleitear junto aos orgãos públicos competentes a criação de mais APCCs por todas as 7 macro regiões da Cidade do Rio de Janeiro.”

Confira a seguir a publicação da Lei Ordinária nº 5719/2014:

Lei nº 5719/2014
Data da Lei
31/03/2014

O Presidente da Câmara Municipal do Rio de Janeiro nos termos do art. 79, § 7º, da Lei Orgânica do Município do Rio de Janeiro, de 5 de abril de 1990, não exercida a disposição do § 5º do artigo acima, promulga a Lei nº 5.719, de 31 de março de 2014, oriunda do Projeto de Lei nº 248, de 2013, de autoria da Senhora Vereadora Laura Carneiro.

LEI Nº 5.719, DE 31 DE MARÇO DE 2014

Cria Áreas de Proteção ao Ciclista de Competição – APCCs nas vias públicas e dá outras providências.

Art. 1º Ficam criadas as Áreas de Proteção ao Ciclista de Competição – APCCs, no âmbito do Município.

§1º Entende-se como Área de Proteção ao Ciclista de Competição – APCC, para os efeitos desta Lei, o espaço de trechos com um mínimo de mil e quinhentos metros lineares em cada sentido, totalizando uma volta de no mínimo de três mil metros lineares, nos limites do Art. 58 da Lei nº 9.503, de 23 de setembro de 1997, Código de Trânsito Brasileiro.

Art. 2º Serão criadas ao menos, duas APCCs nas seguintes regiões do Município:

I – Zona Oeste;
II – Zona sul;
III – Grande Tijuca;
IV – Barra da Tijuca e Jacarepaguá;
V – Zona Norte;
VI – lha do Governador; e
VII – Grande Bangu.

Parágrafo único. O horário de funcionamento diário das APCCs será das quatro horas às cinco horas e trinta minutos.

Art. 3º O Poder Executivo promoverá campanhas educativas, no sentido de alertar os motoristas para a importância do cumprimento desta Lei.

Art. 4º O Poder Executivo regulamentará em sessenta dias esta Lei, o valor da multa aplicável em razão de seu descumprimento, fixando inclusive a operacionalização da segurança de tráfego.

Art. 5º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Câmara Municipal do Rio de Janeiro, 31 de março de 2014

Vereador JORGE FELIPPE
Presidente

A CSCRJ é uma iniciativa inédita na cidade e muitas pessoas se identificam com a causa. Quem pode participar da CSCRJ e o que os interessados devem fazer?

 

Sim, qualquer ciclista pode colaborar voluntariamente com a CSCRJ. Basta entrar em contato conosco através de mensagem inbox de nossa Fan Page. A CSCRJ foi criada em 03 de Maio de 2013 através da chancela das Federações de Triathlon e Ciclismo do Estado do Rio de Janeiro e temos todo o respaldo legal necessário para pleitear nossas demandas em prol do ciclismo perante o poder publico.

Atualmente, vários ciclistas e triatletas de outros Estados, motivados pelas conquistas feitas no Rio de Janeiro, estão criando suas próprias Comissões de Segurança no Ciclismo, sempre mantendo a mesma identidade e propósito da do Rio de Janeiro. Acreditamos que com uma identidade forte e com a união de todos iremos conseguir levar nossas demandas a nível nacional para que essa sementinha que plantamos aqui no RJ seja replicada para todos os ciclistas brasileiros. Para tal, sempre enviamos nossos projetos e conquistas tanto para o Secretário Nacional de Esporte Sr. Ricardo Cappelli, como para o Secretário Nacional de Esportes de Alto Rendimento Sr. Ricardo Leyser, para que, um dia, todos os ciclistas brasileiros possam usufruir de um local público seguro para treinamento de ciclismo.
JUNTOS PODEMOS MAIS!”

 

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“Respeite Um Carro a Menos” é um movimento ciclístico que busca passar a ideologia da Mobilidade Sustentável. Fazemos isso através de plaquinhas que colorem as ruas nas bicicletas e espalham simpatia por onde passam. O Respeite é formado por 6 amantes da vida. =) São eles: Fred Sampaio (publicitário), Carlos Sales (Músico), Isabel Pinheiro (Atriz), Lula Franco (Produtora), Caio Silva (Designer) e Bernardo Bentes, esse que vos escreve todos as Quartas e Sábados.
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