Pitacos

Maratona do Rio 2016 muita emoção e beleza com 29mil corredores

Maratona do Rio 2016

A primeira vez você nunca esquece

Conheça o relato e experiência da nossa colunista Aninha do perfil @caseicomatleta em sua primeira Maratona.

Sou maratonista. A frase é curta, mas a façanha é longa.

Os treinamentos para a Maratona do Rio, que aconteceu no dia 29 de maio, começaram em fevereiro desse ano. Antes disso, já tinha feito 3 meias e pisado num ouriço-do-mar.

Logo depois do réveillon, quando eu ia começar os treinos para os 42km, dei um chute num ouriço em Búzios. Entraram mais de 50 espinhos, adiando os meus treinamentos em mais de um mês. Depois que tudo se resolveu, foram 4 meses voltados para a Maratona do Rio: alimentação rica em carboidrato, muita hidratação, treinos longos aos domingos e por muitas vezes no meio da semana também. Nunca imaginaria que numa simples quinta-feira, eu teria de acordar para fazer 15km.

O ponto mais alto da preparação e que me deu mais gás foi o vídeo oficial que gravamos para a Maratona do Rio. O clip fez o maior sucesso, com mais de 415 mil visualizações.

 

Fiz longos de 30km, 34km e acabei sobrecarregando minha panturrilha e meu joelho. Conclusão: nas 3 últimas semanas antes da prova, acabei correndo somente 3 vezes, mas fui pra prova.

O grande dia

No dia 29 de maio, foi dada a largada da Maratona do Rio no Pontal do Recreio às 7h30. A ideia era começar a prova com pace de 6’, mas com a animação da prova acabei fazendo os 10 primeiros quilômetros numa média de 5’40”. Apesar de no início a paisagem ser linda, ela não muda muito. Recreio, Reserva e Barra da Tijuca parecem uma eternidade, mas ao mesmo tempo, eu diria que é o percurso que passa mais rápido, porque a adrenalina tá lá em cima e o corpo ainda está “novinho”.

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Lá pelo km 15, eu comecei a sentir um incômodo na parte externa do joelho direito. Queria não pensar no incômodo, mas era praticamente impossível. O pace foi aumentando para 6’ e quando cheguei aos 21k já estava com 6’20” de média, mas estava longe de ficar preocupada com o tempo… Eu queria era completar!

O carinho da galera foi surreal. Sempre tinha alguém passando e falando “Vai Casei com Atleta”, “Vai Aninha!!”, “Olha a menina do vídeo da Maratona!”. Ao mesmo tempo em que dava um gás, dava também um peso de responsabilidade. Mas foi gostoso demais. Nunca imaginaria que na minha primeira Maratona eu teria essa força toda do público.

Passado o km21, subimos o Elevado do Joá e a paisagem do Rio, que já era linda, ficou ainda mais charmosa. Num lugar que costumamos a passar de carro, lá estava eu correndo! Isso era inimaginável! Emoção pura que foi coroada com um DJ que tocava música clássica dentro do túnel do Joá. Melhor impossível!

Chegamos à praia de São Conrado, já no km 25, e o que antes era incômodo no meu joelho direito, virou dor. Subimos a Avenida Niemeyer e os sinais de cansaço já apareciam também nos outros corredores. Muitos já andavam, alongavam, e o meu pace que antes era de 6’20” subiu para 6’40”.

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Cheguei ao Leblon no km30 e a dor era desesperadora. O que amenizou um pouco foi encontrar o meu marido Ricardo e o nosso amigo maratonista Rodrigo. Eles me acompanharam de bike a partir dali me dando a maior força psicológica.

O esforço no km 33 gritou em forma de cãibra. Obviamente tive que parar e alongar. Parei por uns 2min e fui tentar correr novamente sem sucesso. O meu joelho direito era apenas dor. Voltei a andar, a andar rápido, briguei contra a minha dor e consegui voltar a correr. Dali por diante, fiz um trato comigo: “ok, você vai olhar para o relógio, mas você não vai olhar para o seu pace.”

Clique aqui e entenda o que é PACE.

Momento crucial da prova

Em Copacabana, no km 35, eu já corria quase que me arrastando. Vi vários amigos, conhecidos e desconhecidos e um deles me chamou a atenção. Ele chegou do meu lado e disse: “No vídeo oficial da Maratona eu vi você na chegada, hoje você vai ter que chegar também”. Aquilo me deu o maior gás, apesar da dor aguda no joelho. Era tanto incômodo, que eu não conseguia sorrir, nem muito menos aproveitar a paisagem.

Chegamos na Avenida Princesa Isabel e só faltavam 3km para terminar. Perto do túnel que dá no shopping Rio Sul, formou-se um corredor polonês de pessoas dando apoio. Nunca tinha visto nada igual. A partir dali, eu já sabia que iria chegar. Não sei quando, mas eu ia.

Meu marido do meu lado me dava instruções: “não esquece da técnica, da respiração”. Ele me ajudou muito, mas a dor limitava o movimento. Por mais que eu quisesse fazer a passada da forma correta, o incômodo não deixava.

Chegando na Praia de Botafogo, eu já estava mais tranquila. Conseguia sorrir para os amigos e para as fotos do Marcello Paiva, que foi me acompanhando durante todo o trajeto postando fotos e vídeos da minha saga no instagram @maratonadoriooficial.

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Faltando menos de 600m, a força da galera já me empurrava sozinha. Meu pai surgiu do meu lado para correr os últimos metros e a massa gritava palavras de incentivo: “Só mais essa curva, galera!”. Eu dei tudo de mim, tentei puxar mais um pouco o ritmo, dei aquela conferida no relógio, olhei pra minha avó e vi minha mãe pulando o alambrado para filmar os meus cinco metros finais até o pórtico da chegada. A dor já tinha se transformado em lágrimas, emoção, superação. Chorei feito uma criança. Foram 4 meses de treinos, 4 horas e 43 minutos correndo e digo que a palavra maratona é pequena para o tamanho da façanha, mas enorme por tudo o que ela representa.

Se você quiser contar a sua experiência, compartilhe aqui com a gente nos comentários! E para acompanhar essa e muitas outras sagas, me sigam lá no @caseicomatleta.

Inscrição para 2017 já abertas www.maratonadorio.com.br 

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Jornalista e corredora em quase todas as horas vagas. Sou eclética. Daquelas que ama correr, mas que também tem uma queda pelos treinos de força na academia. No meu dia cabe de tudo um pouco: Trabalho, treino, esporte, viagens e vida social. Por isso, o espaço aqui vai ser tudo junto e misturado. Afinal, o equilíbrio é a alma do negócio.
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Jornalista e corredora em quase todas as horas vagas. Sou eclética. Daquelas que ama correr, mas que também tem uma queda pelos treinos de força na academia. No meu dia cabe de tudo um pouco: Trabalho, treino, esporte, viagens e vida social. Por isso, o espaço aqui vai ser tudo junto e misturado. Afinal, o equilíbrio é a alma do negócio.