Saúde, Treinamento

Indoor Cycling e Diabetes. O que fazer?

DIABETES, SEUS TIPOS E O EXERCÍCIO.

O  Indoor Cycling como qualquer atividade física regular tem uma grande importância no tratamento da diabetes. O exercício físico deve ser adaptado a cada insulino dependente tendo em conta o seu estado geral. O mais importante é saber equilibrar as intensidades e o tipo de treinamento que será realizado. É necessário que o Profissional de Educação Física que será responsável pela elaboração das rotinas de treino saiba como lidar com este tipo de situação. Vamos entender o que venha a ser Diabetes?

Diabetes Melito é uma doença associada a problemas no controle da glicose sanguínea, resultando primariamente em hiperglicemia. Consiste em subgrupos de distúrbios que acometem atualmente 16 milhões de norte-americanos, com expectativa de que esse número possa aumentar para 23 milhões de norte-americanos por volta de 2025.

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Taxas de casos diagnosticados de Diabetes tipo I e tipo II entre 1958 e 1995 e aumentos projetados em novos casos até o ano 2025. O diabetes tipo II representa quase 95% de todos os casos. (Fonte: National Institutes of Health).

De forma rezumida, vamos explicar os dois tipos existentes de Diabetes Melito:

 DIABETES TIPO I

            O Diabetes tipo I, denominado antigamente diabetes com início juvenil, ocorre tipicamente em indivíduos mais jovens e representa entre 5 e 10% de todos os casos de diabetes. Essa forma de diabetes resulta de uma resposta auto-imune, possivelmente como resultado de uma única proteína que estimula o sistema imune do organismo a tornar as células beta incapazes de produzir insulina e, com freqüência, outros hormônios pancreáticos. Os pacientes diabéticos tipo I apresentam uma anormalidade mais grave para a homeostasia da glicose que aqueles incluídos no subgrupo tipo II. O exercício exerce efeitos mais pronunciados sobre o estado metabólico nesses indivíduos, e o controle dos problemas relacionados ao exercício requer uma maior atenção.

DIABETES TIPO II

            O diabetes tipo II tende a ocorrer após os 40 anos de idade, a não ser nas crianças com peso excessivo. Ocorreu um aumento impressionante no número de crianças com diabetes tipo II, algumas delas com menos de 10 anos de idade. Essa nova tendência de saúde alarmante assinala que o diabetes tipo II representa provavelmente uma “doença pediátrica”. A crença de que o diabetes tipo II ocorre principalmente em homens e mulheres de meia-idade com excesso de peso é tão enraigada que essa enfermidade é denominada frequentemente diabetes com início na vida adulta. As estimativas recentes indicam que a doença triplicou durante os últimos 3 a 5 anos. O diabetes tipo II é responsável por quase 95% de todos os casos de diabetes nos Estados Unidos e representa a principal causa de morte produzida por doença.

 O diabetes tipo II está relacionado a três fatores:

  1. Incapacidade do corpo de responder adequadamente à insulina, associada intimamente a uma resistência significativa às ações da insulina (particularmente no músculo esquelético).
  2. Secreção de insulina anormal, porém relativamente bem preservada.
  3. Níveis plasmáticos de insulina normais a altos. Um distúrbio nas capacidades glicolíticas e oxidativas do músculo esquelético também se relaciona com a resistência à insulina no diabetes tipo II. A doença resulta provavelmente da interação de genes e fatores relacionados ao estilo de vida _ inatividade física, aumento de peso, possivelmente, uma dieta em gorduras intensificam o risco, que aumenta com a idade. Isso é responsável mais provavelmente pelo aumento de 70% na incidência desse distúrbio entre as pessoas com 30 a 40 anos de idade durante a última década do século XX e por um aumento global de 33% em âmbito nacional, chegando a cometer 6,5% da população. Além disso, a forma de resistência à insulina no diabetes tipo II possui um poderoso componente genético. O gene orienta a síntese de uma proteína que inibe a ação da insulina no transporte celular da glicose.

Com Risco Para Diabetes Tipo II:

  • Peso corporal acima de 20% do ideal;
  • Parentes de 1º grau com diabetes (influência genética);
  • Membro de um grupo étnico de alto risco (negros, hispano-americanos, habitantes das ilhas do Pacífico, índio americano, asiático);
  • Teve um bebê pesando mais de 4 kg ou desenvolveu diabetes gestacional;
  • Pressão arterial no nível de ou acima de 140/90 mm Hg;
  • Nível de colesterol Hdl de 33mg/dl ou abaixo e/ou o nível de triglicerídeos de 250mg/dl ou acima;
  • Glicose plasmática em jejum alterada ou tolerância à glicose alterada nos testes anteriores.

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A resposta ao exercício no diabético tipo I depende de vários fatores, incluindo a adequação do controle por insulina exógena.  Se o diabético está sob controle apropriado ou apenas ligeiramente hiperglicêmico sem cetose, o exercício diminui a concentração de glicose sanguínea e uma dosagem de insulina mais baixa pode ser necessária. Todavia, podem ocorrer problemas durante o exercício se o diabético não estiver sob controle adequado. A falta de insulina suficiente antes do exercício pode prejudicar o transporte de glicose para os músculos, limitando a disponibilidade de glicose como substrato de energia. Para compensar, o uso de ácidos graxos livres aumenta e são produzidos corpos cetônicos, possivelmente levando ao desenvolvimento da cetose.

 Além disso, a maior produção de glicose resultante exacerba adicionalmente o estado hiperglicêmico. Por essas razões, diabéticos do tipo I devem estar sob controle adequado antes de começarem um programa de exercício. Concentrações de glicose, na variação de 200 a 400 mg%(mg/dL), exigem supervisão médica durante o exercício, enquanto o exercício está contra-indicado para aqueles com valores séricos em jejum > 400mg% até acompanhamento médico. Por outro lado, como o exercício tem efeito semelhante à insulina, a hipoglicemia induzida pelo exercício é o problema mais comum apresentado por diabéticos que se exercitam. Pode ocorrer hipoglicemia quando há muito insulina, ou se há absorção acelerada de insulina do local da injeção, ambos podendo ocorrer com o exercício. A hipoglicemia pode ocorrer não apenas com o exercício, mas pode também ocorrer 4 a 6 horas depois de uma sessão de exercício. Para contrabalançar essa resposta, o diabético pode precisar reduzir sua dosagem de insulina ou aumentar a ingestão de carboidrato antes do exercício. A hipoglicemia representa o distúrbio mais comum na homeostasia da glicose durante o exercício em diabéticos que tomam insulina exógena. A hipoglicemia particularmente grave nos pacientes que são submetidos a uma terapia insulínica intensiva com a finalidade de normalizar os níveis plasmáticos de glicose durante um dia inteiro. Em condições normais, a hipoglicemia pode ocorrer durante o exercício intenso prolongado quando a liberação hepática de glicose não acompanha a maior utilização de glicose pelo músculo ativo. As pessoas com diabetes tipo II demonstram com freqüência uma tolerância reduzida ao exercício, independentemente do controle glicêmico. Os fatores que contribuem incluem genética, características indesejáveis relacionadas ao estilo de vida, gordura corporal excessiva e atividade física precária.

O risco de eventos hipoglicêmicos pode ser minimizado tomando-se as seguintes precauções:

  • Monitorar glicose sanguínea frequentemente quando iniciar um programa de exercícios;
  • Diminuir a dose de insulina (por 1 ou 2 unidades prescrito pelo médico) ou aumentar a ingestão de carboidrato (CHO) (10 a 15g de CHO por 30 minutos de exercício) antes de uma sessão de exercício;
  • Injetar insulina em uma área como o abdome que não está tão ativa durante o exercício;
  • Evitar exercício durante períodos de pico da atividade da insulina;
  • Fazer refeições leves de carboidratos antes e durante sessões prolongadas de exercícios;
  • Estar consciente dos sinais e sintomas de hipo- e hiperglicemia;
  • Exercitar-se com um parceiro.

            Outras precauções que devem ser tomadas incluem:

Sapatos adequados e prática de boa higiene dos pés, consciência de que beta bloqueadores e outras medicações podem interferir na habilidade de distinguir sintomas hipoglicêmicos e/ou angina e estar ciente de que exercício com calor excessivo pode causar problemas em diabéticos com neuropatia periférica. Pacientes com retinopatia avançada não devem realizar atividades que causem discordância excessiva ou aumentos marcantes na pressão sanguínea. Os pacientes devem ter aprovação médica para reassumir treinamento físico depois de tratamento.

Fontes:

  • Manual do ACSM para Teste de Esforço e Prescrição de Exercício
  • Fisiologia do Exercício – Willian D. McArdle
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