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Competição de SUP Rei e Rainha do Mar

SUP Rei e Rainha do Mar

O mar da praia mais famosa do mundo (Copacabana – RJ) nesse último domingo dia 28/03 foi cenário da prova mais difícil, desafiadora e perigosa de todos os tempos no que diz respeito às competições de Stand Up Paddle (RACE e FUN RACE) do circuito nacional.

Palavras essas ditas pelos próprios atletas que participaram. Muitos desses relatos são de profissionais do esporte e com experiência em competições internacionais. Saberemos de algumas dessas opiniões no final do nosso artigo.

A prova fez parte da primeira etapa do Circuito Rei e Rainha do mar (ReR), que é um dos maiores eventos de esportes de praia do Brasil com diferentes modalidades aquáticas e de corrida na areia, tendo começado em 2008 com travessias de natação e foi ganhando força ao longo dos anos. Nossas notícias sobre esse e outros eventos ficarão restritos à modalidade que faz parte do nosso mundo que é o SUP, que inclusive foi inserido a esse evento a partir de 2012.

sup rei rainha 02

 

Competição de SUP

As três etapas do ReR são muito importantes para o calendário de competições de SUP no país, pois pontua para o ranking Carioca e Brasileiro em diferentes categorias. Além disso, a última etapa geralmente é no mês de dezembro fazendo com que o mesmo muitas vezes decida quem serão os campeões da temporada.

Por esse motivo ninguém quer deixar de competir. Os melhores atletas do país misturados com centenas de atletas amadores que têm o SUP na veia também participam do evento.

Todos independente das condições de mar do dia não querem perder a chance de participar de um evento desse porte, que para iniciantes em provas desse tipo gera bastante aprendizado por ser uma competição difícil, e para atletas mais experientes importantes pontos para o ranking estão em jogo.

Bom, até aí tudo bem.

As condições climáticas desse domingo estavam extremas.

Durante a semana que antecedeu ao evento, os organizadores até de local mudaram a prova, levando a mesma para Copacabana que tem águas mais calmas.

Mas não adiantou muita coisa. Locais disseram que há muito tempo não se via um mar desse tamanho em Copa, com ventos laterais muito fortes, formando ondas gigantescas quebrando lá dentro dificultando muito a remada e podendo também causar acidentes na largada e na chegada.

Próximo das bóias de retorno que os atletas precisam passar para respeitar o traçado da competição, as ondas dificultaram muito também as manobras de mudança de direção. E sobre o vento, o lateral é o pior vento para o SUP. Muito mais difícil, pois remamos praticamente de um lado só durante muito tempo, e como profissional de Educação Física sei que é o mais lesivo à integridade física dos atletas, pois criamos compensações de equilíbrio e sobrecargas assimétricas na coluna e articulações.

Para os profissionais do esporte essas circunstâncias são ótimas. Eles mesmos dizem que quanto piores são, melhor nivelamento a competição passa a ter e torna a mesma mais desafiadora já que a categoria PRÓ é formada por atletas experientes e que sabem bem os riscos que podem se submeter. Estão acostumados a situações iguais ou bem mais intensas dentro dos oceanos.

Mas os atletas amadores, a grande maioria, apaixonados pelo esporte também e querendo ranquear no circuito ficam a mercê de condições de mar insatisfatórias e perigosas.

sup rei rainha

 

 

Categorias amadoras

As categorias amadoras têm uma grande mistura de atletas inexperientes e experientes, com a mesma coragem do atleta profissional, mas com menos noção do perigo.

O circuito Rei e Rainha do Mar tem características muito positivas, algumas já mencionadas como a imensidão do evento, além da infra-estrutura, os kit-atletas bem completos com brindes bem legais e premiações “relativamente” satisfatórias para as categorias profissionais.

Os principais problemas que nós atletas amadores temos e tentamos ser ouvidos para que o evento melhore ainda mais são:

  1. O horário das provas. Como as provas de natação e corrida acontecem de manhã, a largada do stand up sobra para parte da tarde com mar bem mais agitado e ventos mais fortes. Pedidos são feitos o tempo todo para que a largada do SUP seja de manhã também, mudando o trajeto para que aconteça junto com as provas de natação. Ou até mesmo fazer as provas em dias diferentes, como no sábado e no domingo para que todas aconteçam na parte da manhã.
  2. Como o horário da largada geralmente é as 13 ou 14hs aumenta também a dificuldade de estacionar nas praias da zona sul, locais do evento, e isso atrapalha a vida do atleta que consegue vaga muito distante para ainda ter que levar seu equipamento debaixo do braço até a ARENA. Em algumas categorias as pranchas medem mais de 4 metros de comprimento e pesam pelo menos 10 kg.
  3. Outro problema para os atletas é a longa espera após o término da prova aguardando a premiação, durante horas você fica debaixo do sol.

A paixão pelo esporte acaba falando mais alto e já saímos das competições marcando com os amigos os detalhes da próxima, que com certeza acontecerá em breve. Praticamente todo final de semana temos alguma competição de Sup Race Brasil afora.

Opinião dos amadores sobre a competição

Para os amadores, era quase unânime, em ser melhor adiar do que uma situação desfavorável dessa ser capaz de causar acidentes graves e até mesmo a morte de algum atleta.

As redes sociais de seguidores do SUP durante a semana do evento e após a prova nunca tiveram tantos posts comentando sobre a dificuldade e riscos da prova.

Na página da nossa principal fonte de informação sobre tudo que diz respeito aos eventos e competições de SUP no Brasil, a “Antônio Vaz consultoria e eventos”, esteve repleto de opiniões sobre toda a polêmica que a prova causou. O próprio gestor que também é atleta amador e faz de tudo pela melhoria e crescimento do esporte relatou durante a semana a sua preocupação com os atletas e nos representou conversando com os organizadores e com a FESUPRJ, a federação Carioca de SUP, sobre as possibilidades de cancelamento.

No final das contas, o evento aconteceu, muitos atletas não completaram a prova, alguns incidentes e acidentes ocorreram, mas graças a Deus nada de muito grave foi relatado.

Meu intuito aqui não é gerar mais polêmica e denegrir a imagem do evento ou da federação.

Pelo contrário. Quanto mais notícia sobre o que é o mundo do SUP, quanto mais pudermos exercer o nosso direito de fazer pedidos para que os eventos aconteçam com segurança e melhorem cada vez mais, quanto mais pudermos dar nossas opiniões, estaremos ajudando o esporte e seu crescimento.

Inclusive, recebi depoimentos de atletas que perceberam muito mais barcos de apoio e de resgate, sempre próximos aos atletas em momentos cruciais da prova, bem como comunicação eficiente entre os rádios comunicadores das equipes de água e de terra, trocando informações sobre o posicionamento e condição dos atletas. Então, estamos aqui para relatar os pontos positivos também.

A federação se pronunciou 3 dias após a prova dando o seu parecer, relatando que as condições de segurança eram perfeitamente aceitáveis para a realização da prova apesar das difíceis condições climáticas. Comentaram também que o número de desistência foi pequeno, 4% dos que largaram, com 96% dos atletas tendo completado a prova.

Parecer da organização

A organização do evento se pronunciou logo após a Federação publicar esse parecer, dizendo que foi aprovado pela FESUPRJ após apresentar toda a infra-estrutura necessária para a proteção e segurança dos atletas.

Temos esperança e torcemos para que em próximas competições medidas de segurança e organização sejam tomadas cada vez com mais planejamento e seriedade pelos organizadores e pela federação que nos representa, para que nossas disputas dentro da água sejam sempre muito saudáveis e com aquele final feliz que todo mundo espera!

Acreditamos que essa prova ficará na história e na memória de todos com certeza, inclusive dos atletas que participaram.

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Relatos de alguns atletas:

  • Américo Pinheiro Jr.(Campeão da categoria Race 14 pés, 12km Masculino)

“Talvez uma das provas mais desafiadoras do SUP Brasileiro. Foi uma condição prevista e eu particularmente gosto muito dessa condição, mas colocaria só o profissional na água e faria o trajeto diferente. Uma perna muito grande de lateral, de Copa até o Leme, nessas condições pode machucar um atleta pro resto da vida. Jamais colocaria a categoria amadora nessa prova, ou pelo menos fazer a largada do amador pela água, pois aquele quebra côco pode até matar alguém com uma pranchada na cabeça. Tomando cuidado com o amador, o profissional na minha opinião tem que ser colocado à prova”.

  • Lena Guimarães Ribeiro (Campeã da categoria Race Pró 12 km Feminino)

“A prova foi bem dura, com bastante vento e ondulação. Eu gosto muito de prova no mar com ondulação, pois é mais desafiador, mas com vento lateral na minha opinião é a pior condição que existe. Além de difícil, machuca.” Mas para o profissional tem que ser assim mesmo, e para as categorias amadoras fosse interessante fazer em outro horário ou de dentro da água a largada, pois muita gente inexperiente pode acabar se machucando ou desistir como aconteceu com alguns”.

  • Arthur Carvalho Mas Santacreu (Campeão da categoria Race Pró 12km Masculino)

“Foi uma das mais desafiadoras que já enfrentei. Mar muito agitado que dificulta o equilíbrio, ondulações que faziam com que tivéssemos que remar apenas de um lado e o forte vento que potencializava isso tudo. Alguns ali não estavam em condições de enfrentá-la. Condições como essa não são comuns em treinos de remadores brasileiros, por isso todos sofreram bastante para completar. Como já temos muitas provas em águas calmas, acho importante esse tipo de prova para que os atletas sejam desafiados. Cada atleta deve ter o conhecimento de suas próprias capacidades para não cair em uma enrascada”.

  • Ariani Theophilo (Vice-campeã da categoria Race Pró 12km Feminino)

“Na largada, ondas grandes quebrando na beira dificultaram muito. Alguns homens conseguiram passar, mas todas as meninas ficaram ali naquela confusão toda. Me embolei na primeira onda, subi rápido na prancha e consegui passar pela segunda no limite! Mar com muita ondulação e vento. No inicio da segunda volta o vento fico muito forte. Caí varias vezes, com o vento pegando a gente pela lateral. Não conseguia remar reto, pensei em desistir, mas queria muito terminar. Vi alguns botes da organização que passavam e perguntavam se estava tudo bem e isso me deu mais segurança. Fiquei muito feliz de ter conseguido. Eu e a Lena, a grande campeã, fomos às únicas mulheres a completar a prova dos 12 km. Foi a prova mais dura que participei.

  • Paulo Oberlander (Campeão da categoria Fun Race 2km Masculino)

“Para a categoria que eu participei o mar estava até tranquilo. Só mexido mesmo. Mas a organização errou com o horário da prova, mas sobre as condições não achei tão problemático não, pois se estamos no mar devemos estar preparados a ele”.

 

Um agradecimento aos atletas que enviaram seus relatos!

Mostrarei em nossos POSTS aqui no “30tododia” um pouco do mundo competitivo do SUP com matérias, entrevistas, imagens e depoimentos de atletas que servirão de conteúdo para que os seguidores fiquem por dentro das noticias e novidades cada vez mais interessantes sobre esse esporte que é apaixonante.

Além de dicas sobre vários aspectos importantes aos iniciantes e aos que remam por lazer, como por exemplo, as dicas que postamos sobre segurança e escolha de equipamentos antes de entrar na água pela primeira vez, em nosso ultimo post. Leia aqui.

Nossa próxima matéria será sobre as dicas a partir do momento que você coloca a prancha na água para a sua remada inaugural no esporte.

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Fred Rangel siga no Instagram @efirio

Edição @paivamarcello

. Gestor da EFI Rio
. Personal coach 4.1
. Coordenador de personal training da Academia Companhia Athletica- Rj
. Formado pela UERJ
. Pós-graduado em treinamento de força pela UGF
. Especialista em treinamento funcional pela metodologia MVF
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. Gestor da EFI Rio . Personal coach 4.1 . Coordenador de personal training da Academia Companhia Athletica- Rj . Formado pela UERJ . Pós-graduado em treinamento de força pela UGF . Especialista em treinamento funcional pela metodologia MVF