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Quantas calorias são gastas em aulas de Indoor Cycling?

De acordo com as recomendações do ACSM, a intensidade de um exercício deve ser de 60-90% da freqüência cardíaca máxima ou de 50-85% de consumo máximo de oxigênio durante 20 a 60 minutos de atividade por semana. Estudos de MELLO (2002), UCHIDA (2002) e FRANCIS et al. (1999) vêm demonstrando o perfil dos participantes do Indoor Cycling, em que se constata que os participantes de uma aula atendem ao critério de condicionamento cardiorrespiratório e gasto energético para o controle de peso estabelecido pelo American College of Sports Medicine.

As aulas de Indoor Cycling são baseadas em uma metodologia aplicada nos treinamentos realizados no ciclismo, que buscam reproduzir as experiências de pedalar em estrada. A bicicleta de Indoor Cycling é ajustável, o que permite ao usuário uma posição confortável de corrida de acordo com sua estatura. A resistência é aumentada ou diminuída através de um mecanismo de frenagem, que funciona como sistema de troca de marcha de uma bicicleta de estrada. Uma sessão padrão de Indoor Cycling tem duração de 45 minutos, incluindo os períodos de aquecimento e volta à calma; ela é comandada por um instrutor treinado, que ministra as aulas a grupos utilizando-se da música e de técnicas visuais para simular uma pedalada virtual ao ar livre. Analisando a atual literatura em busca de descobrir o gasto calórico de uma sessão de Indoor Cycling, achamos algumas pesquisas que resumiremos abaixo.

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 A importância do estudo reside na probabilidade de que seus resultados possam oferecer sustentação nas afirmativas relacionadas à prescrição de exercícios para o alcance das metas de seus praticantes. Conhecendo-se o gasto calórico da atividade, podemos orientar e direcionar o trabalho visando o emagrecimento e/ou condicionamento físico, principais fatores de motivação que atraem os praticantes para sua realização.

 Objetivo do Estudo

Fundamentado nos estudos e recomendações existentes, o objetivo deste trabalho foi estabelecer o custo metabólico de uma aula de Indoor Cycling em mulheres adultas clientes de duas academias da Zona Oeste do município do Rio de Janeiro.

População e Amostra

Foram voluntárias para este estudo 12 mulheres com idade entre 20 e 35 anos (média de 26,4 anos), já praticantes da modalidade Indoor Cycling há pelo menos seis meses e com freqüência de três a cinco vezes por semana. Elas são clientes de duas academias localizadas na zona oeste da cidade do Rio de Janeiro.

 Material e Protocolos Utilizados

Foram mensuradas a massa corporal total e a estatura, utilizando balança Filizola. As mensurações das dobras cutâneas foram feitas com o compasso de marca LANGE-EUA. Para cálculo do %G foi utilizada a equação de Siri, com o resultado da densidade corporal resultante da equação de POLLOCK e WILMORE para três dobras (1993).

A avaliação do gasto energético foi realizada na bicicleta, que é objeto das aulas de ciclismo indoor, e em uma aula simulada.

 A aula simulada, com duração de 45 minutos, para este estudo, pode ser classificada dentro da metodologia do interval trainning, onde uma parte do treino foram utilizados estímulos anaeróbios curtos de alta intensidade e na outra, estímulos longos de média intensidade.

Para análise de gases foi utilizado o método de espirometria de circuito aberto, através do analisador metabólico TEEM 100 (Aerosport, TEEM 100, Metabolic Analysis System).

A monitoração da freqüência cardíaca (FC) foi feita por um avaliador, através de um acompanhamento a cada minuto da aula, e por um frequencímetro.

 Verificou-se, na amostra utilizada das academias selecionadas, que há uma homogeneidade entre os participantes do estudo quanto aos dados antropométricos; eles mantiveram uma média de dispêndio energético linear em torno de 600 kcal, em uma sessão com duração de aproximadamente 45’ de aula.

 De acordo com os resultados de consumo de oxigênio (VO2), pode-se afirmar que o Indoor Cycling é uma atividade que atinge os critérios do ACSM (1998) para condicionamento cardiorrespiratório e gasto energético para o controle de peso. É um exercício contínuo de moderada a alta intensidade, sendo apropriado para pessoas que querem aumentar e manter sua capacidade cardiorrespiratória. Portanto, o Indoor Cycling oferece uma alternativa eficaz, segura e motivante para o desenvolvimento da aptidão cardiorrespiratória dentro das academias. A modalidade permite que seus praticantes com diferentes níveis de condicionamento físico participem de uma atividade coletiva em que o esforço pode ser dosado respeitando-se o princípio da individualidade biológica.

Recomendações finais.

Considerando os resultados apresentados, sugere-se que o Indoor Cycling pode ser uma atividade recomendada visando o emagrecimento e controle de peso, conforme recomendações do ACSM (1998), determinando que, para atividades físicas com a finalidade do controle de peso, deve-se ter um gasto mínimo de 300 kcal por sessão de exercício. Visto que os avaliados da pesquisa gastaram em média 600 kcal durante os testes, concluímos, assim, terem alcançado tal recomendação. Contudo, devem-se considerar outros fatores que atuam e influenciam o processo de perda e/ou controle de peso e dispêndio energético, visto que o avaliado que obteve maior gasto calórico não foi o de maior peso corporal no que se refere ao MCM/KG nem o de menor percentual de gordura. Não é preciso afirmar que o gasto calórico proporcionado pelo Indoor Cycling seja o único responsável pela redução do peso corporal.

 

Referências Bibliográficas

ACSM. Resourse manual for guidelines for exercice testing and prescription. 5.ed. Baltimore, MA: Willians & Wikins, 1998. R. Min. Educ. Fís., Viçosa, v. 11, n. 2, p. 108-113, 2003 113

AMERICAN COLLEGE OF SPORTS MEDICINE. The recomended quantity and quality of exercise for development and maintaining cardiorespiratory and muscular fitness, and flexibility in health adults. 4. ed. Rio de janeiro: Revinter, 1998.

BARBANTI, V. J. Dicionário de educação física e do esporte. SãoPaulo: Manole, 1994. FRANCIS, P. R.; WITUCKI, S.; BUONO, M. J. Physiological response to a stodio cycling session. ACSM’S Health & Fitness Journal, v. 3, n. 1, p. 30-36, 1998. MCARDLE, W. D.; KATCH, F. I.; KATCH, V. L. Fisiologia do exercício, energia, nutrição e desempenho humano. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1998.

MELLO, D. B. Alterações fisiológicas no ciclismo indoor. 2002. issertação (Mestrado em Ciência da Motricidade Humana). Universidade Castelo Branco.

NOBRE, T.; SANTOS, T. M. Alterações e freqüência cardíaca proporcionadas por diferentes sessões de ciclismo indoor em mulheres jovens aparentemente saudáveis. Rio de Janeiro: [s.n.], 2000.

NOVAES, J. S.; VIANNA, J. M. Personal trainning e condicionamento físico em academia. Rio de Janeiro: Shape, 1998.

POLLOCK, M. L.; WILMORE, J. H. Exercício na saúde e na doença. 2.ed. São Paulo: Medsi, 1993.

REEBOK UNIVERSITY. Professional training manual – cycle reebok. EUA: Reebok International, 1997. 60 p.

THOMAS, J. R.; NELSON, J. K. Métodos de pesquisa em atividade física. 3. ed. Porto alegre: Artmed, 2002. 114 R. Min. Educ. Fís., Viçosa, v. 11, n. 2, p. 114-121, 2003

 

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