Dicas, Pergunta ao Doutor

O que é VO2 máximo ou capacidade aeróbica máxima e qual a sua importância para o treinamento?

VO2 máximo ou Capacidade Aeróbica máxima

Você sabe qual o seu VO 2 máximo?

Muitos de nós já ouvimos falar de VO 2 ou capacidade aeróbica máxima, mas nem sempre estes termos são corretamente entendidos.

Nosso organismo consome oxigênio em repouso e este consumo aumenta proporcionalmente conforme a intensidade do exercício que realizamos. Então, o consumo máximo de oxigênio é uma forma de avaliar a intensidade máxima de esforço que somos capazes de realizar. O treinamento físico gera diversas adaptações no nosso organismo, permitindo que alcancemos valores maiores de VO 2 máximo.

Qual a importância do VO 2 máximo?

No final de 2016 a American Heart Association, uma das entidades de cardiologistas mais respeitada no mundo, publicou um posicionamento sugerindo que o VO 2 máximo seja considerado um novo “sinal vital”1.

Sinais vitais são parâmetros clínicos que são obrigatoriamente obtidos pelos médicos em função de sua importância para diagnóstico de doenças e avaliação prognóstica. Os clássicos são:

  • frequência cardíaca,
  • frequência respiratória,
  • pressão arterial,
  • temperatura e
  • oximetria.

Com essa sugestão da American Heart Association o VO 2 máximo torna-se um novo sinal vital.

Essa sugestão se justifica pelo grande poder de predizer prognóstico de indivíduos saudáveis ou doentes de acordo com o VO 2 máximo.

Nós médicos não temos “bola de cristal”, mas alguns dados nos ajudam muito a “predizer o futuro” e, principalmente, convencer os pacientes a aderir a práticas que podem mudar previsões sombrias.

De fato, existem muitos estudos comprovando a relação entre baixos níveis de aptidão aeróbica (baixo VO 2 máximo) e elevado risco de desenvolvimento de doenças cardiovasculares (como infarto, insuficiência cardíaca, hipertensão arterial e até acidente vascular cerebral) e diferentes tipos de cânceres.

“Em números, indivíduos com baixa capacidade aeróbica têm probabilidade de morte três vezes maior do que indivíduos com boa capacidade aeróbica”. Afirma Dra. Renata Castro.

 

Qual o meu VO 2 máximo?

A única forma de realmente medir seu VO2 máximo é realizando um teste cardiopulmonar de exercício, também conhecido como ergoespirometria. Neste teste, atualmente já disponível através de diferentes planos de saúde, você vai realizar um exercício de intensidade progressiva, em esteira ou bicicleta ergométrica, enquanto são registrados o eletrocardiograma e a pressão arterial, e medidos o consumo de oxigênio e a produção de gás carbônico.

Como infelizmente o teste cardiopulmonar de exercício não está disponível em todas as cidades do Brasil, uma alternativa é realizar um teste ergométrico convencional, onde o VO 2 máximo não será medido diretamente, mas poderá ser estimado através de algumas fórmulas.

Com que frequência devo medir meu VO 2 máximo?

A American Heart Association sugere que indivíduos adultos avaliem o VO 2 máximo pelo menos uma vez ao ano, idealmente através do teste cardiopulmonar de exercício.

Meu VO 2 máximo está baixo, o que fazer?

Indivíduos com VO 2 máximo baixo têm maior risco de mortalidade. A boa notícia é que pequenos aumentos no VO2 máximo, obtidos com treinamento físico, já diminuem bastante esse risco de mortalidade. Então o segredo é treinamento físico adequado e eliminação de outros fatores de risco como obesidade, tabagismo, colesterol elevado, diabetes.

Importante lembrar que com o passar dos anos o VO 2 máximo tende a cair, por isso é importante manter-se ativo sempre!

Se você não sabe seu VO 2 máximo, converse com seu médico(a). Apenas conhecendo seu VO 2 máximo vocês poderão avaliar o risco de doenças cardiovasculares e cânceres e traçar estratégias saudáveis para evita-las.

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Texto: 

Renata Castro, MD, PhD siga no Instagram @drarenatacastro

1. Ross R, Blair SN, Arena R, et al. Importance of Assessing Cardiorespiratory Fitness
in Clinical Practice: A Case for Fitness as a Clinical Vital Sign: A Scientific Statement From
the American Heart Association. Circulation 2016;134:e653-e99.

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