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Entrevista com Yane Marques

Entrevista com a medalhista olímpica Yane Marques e que acaba de ganhar a medalha de bronze no campeonato mundial de pentatlo moderno e ser a primeira brasileira a assegurar vaga nos Jogos Olímpicos Rio 2016.
Nosso colunista Wagner Romão fez um bate bola rápido com ela.
  • Como você foi parar numa modalidade tão complexa e pouco conhecida no país como o pentatlo moderno?

Após um convite, na ocasião da abertura da federação do esporte em PE, em 2003.

​ O meu técnico atual, Alexandre França organizou uma prova de biathlon (natação/corrida) e me inscrevi. Acabei ganhando a prova e não parei mais.​
  • Você pressentiu logo no início que essa troca poderia vir a dar grandes resultados ou levou tempo para acreditar no projeto?

Pressentir talvez não seja exatamente o sentimento na época. Realmente me deparei com um esporte muito interessante e muito pouco praticado por mulheres no Brasil. Vi uma janela interessante, sabendo que o pentatlo faz parte do programa olímpico. Aos poucos as coisas foram acontecendo de uma forma muito positiva, quando senti que estava no caminho certo e que a decisão de parar a carreira de nadadora e acreditar na de pentatleta tinha sido um acerto.

  • Você é atleta de um esporte pouco conhecido no país e mesmo assim atingiu o ponto mais alto na vida de um atleta que é uma medalha olímpica. A que você atribui esse sucesso nessa modalidade tão complexa?

Atribuo ao trabalho feito por todas as mãos envolvidas no processo. Equipe técnica e, naturalmente, a minha dedicação tendo que apenas cumprir a proposta de treino diária. Não foi fácil mas vale muito a pena.​

  • Você é oriunda da natação e depois acrescentou mais 4 modalidades a sua vida como atleta (tiro, esgrima, hipismo e corrida). Das quatro, com qual delas você se identificou mais e qual teve mais dificuldade em aprender?

A que mais me identifiquei desde o início e continuo gostando mais, foi a equitação. Amo montar e ter esse contato com o cavalo.​ A que tive mais dificuldade, não em aprender mas em evoluir, foi a corrida. Tecnicamente todas apre​se​n​tam uma dificuldade particular.

  • Você foi campeã dos Jogos Panamericanos do Rio em 2007 competindo no Brasil. Você acha que competir em casa pode lhe trazer vantagem nos Jogos do Rio em 2016?

N​a verdade não vejo muita vantagem não. Veria se tivermos a oportunidade de treinar nas instalações da competição. Aí sim poderia ser um ponto positivo pra quem vai competir em casa. Vejo que a cobrança exacerbada por parte da mídia e dos não conhecedores do esporte, vem como um ponto negativo.

  • Com o bronze em Londres somado ao fato de você competir em seu país, é inevitável dizer que você é uma das favoritas em 2016. Você se enxerga como uma das favoritas e como você encara essa pressão?

Acredito que eu esteja na relação das atletas com chance de subir ao pódio em 2016. Mas dá​ pra se prever algo nesse esporte tão complexo? Difícil.  Se eu chegar em 2016 ocupando um posto entre essas atletas com possibilidades de medalhar, quero apenas fazer o meu trabalho e reproduzir na prova o que faço nos treinos.

  • Você tem planos de continuar competindo após os Jogos Olímpicos de 2016?
Sim! Quero continuar treinando, porém  ainda vou decidir a maneira como isso vai acontecer. Pretendo por uns meses aliviar a carga de treino e de viagens. Depois, está nas mãos de Deus. Parar? Não vou!
  • Recentemente você se formou em educação física. Você pretende focar sua vida profissional no alto rendimento ou vai buscar trabalhar em outra área?

Pretendo trabalhar na minha área. Não fecharei as portas para as oportunidades que possam surgir. Mas a minha vontade é trabalhar com iniciação esportiva.

  • Quantos profissionais trabalham com você atualmente e qual a importância de cada um deles?

Diretamente tenho 8 pessoas que trabalham comigo. Desde técnicos​, a fisioterapeutas, psicóloga, personal trainer… Cada um tem seu valor. Não consigo pontuar isso. São peças de um quebra cabeça. Todos juntos formam a figura perfeita.

  • Deixe uma mensagem pros seus torcedores e seguidores do @​30tododia

Muito obrigada pela torcida verdadeira e por toda energia positiva a mim direcionada. Acreditem que em 2016 estarei pronta para representar nosso país da melhor forma possível e farei o que for preciso para essa história ter um final feliz!

Texto

Wagner Romão é triatleta, atleta olímpico e panamericano de pentatlo moderno, oficial do Exército, professor de educação física. Ocupa atualmente o cargo de Gerente do Programa de Atletas de Alto Rendimento do Exército e comentarista do canal Sportv na modalidade Pentatlo Moderno. CREF: 008429-G/DF.

Siga no instagram @wagner_romao

 yane marques

Marcello Paiva
Idealizador do portal @30tododia
Professor de Educação Física – UFRJ
Pós graduação em Fisiologia do Exercício e Programação Neurolinguística.
Coaching deTreinamento / Palestrante Motivacional

Email: marcellopaiva@30tododia.com.br

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Marcello Paiva
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