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Para que serve o cinto na musculação?

É comum observar nas academias e centros de treinamento, pessoas utilizando alguns acessórios ou equipamentos durante a prática da musculação com o intuito de melhorar de alguma maneira seu o rendimento durante a execução dos exercícios.

Entre esses acessórios, temos como exemplo, as luvas, sapatilhas, straps, mas sem dúvida nenhuma, o cinto aparece como o acessório mais utilizado, não só por atletas profissionais, mas entre indivíduos em nível recreacional.

No entanto, um entendimento prévio de como e quando e como usar este acessório, cabe pode auxiliar para uma prática eficiente e segura do sua utilização durante os exercícios na musculação.

A ação do cinto durante o exercício tem como principal função, o aumento da pressão intra-abdominal, contribuindo assim para a estabilidade do tronco, o que poderia favorecer o desempenho dos exercícios realizados em pé e com cargas elevadas.

O cinto é acessório quase que obrigatório para os levantadores de peso olímpico e atletas de powerlifting, modalidades estas, que exigem dos atletas, altos níveis de força e estabilidade do tronco pela ação dos músculos estabilizadores dessa região.

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De fato, as análises realizadas sobre o efeito do cinto no treinamento de força são em sua maioria sobre o exercício agachamento livre, realizado em altas cargas (acima de 80% de 1 repetição máxima). As dúvidas se apresentam sobre o aumento ou não, da atividade dos músculos estabilizadores como reto abdominal, oblíquo externo e eretores da espinha que, em alguns estudos, parece ser aumentada, mas em outros não demonstram qualquer modificação, mesmo que de alguma forma seja observada o aumento da pressão intra abdominal.

Outra variável importante observada com o uso do cinto é um aumento da velocidade do movimento quando comparado ao exercício feito sem o cinto, neste caso, o uso do cinto pode favorecer as atividades que tenham como objetivo, o desenvolvimento da potência muscular, mesmo que a atividade muscular dos estabilizadores não seja aumentada com a utilização do acessório.

Estudos sobre o uso do cinto:

Em estudo realizado por Lander et AL (1992), a atividade dos músculos vasto lateral e bíceps femoral no exercício agachamento em cargas de 8RM (repetições máximas) foi maior para os indivíduos que utilizaram o cinto em relação ao que fizeram sem o acessório, no entanto, não foi observado maior ativação dos músculos estabilizadores da coluna, apesar da pressão intra-abdominal ter aumentado em torno de 25 a 40%. Esses resultados indicam um efeito positivo sobre os músculos motores primários do agachamento, o que determinou maior capacidade de geração de força, porém, sem atuação sobre os músculos estabilizadores.

Em pesquisa realiza em mais de 350 praticantes musculação, verificou-se que 27% utilizavam o cinto em seus treinamentos, destes, 80% tinha a ideia de que o seu uso, poderia evitar lesões na coluna, e o restante dos usuários, acreditavam melhorar seu desempenho durante o treinamento. O problema que muitos destes usuários utilizam o cinto desnecessariamente ou de forma inapropriada, ou seja, acabam utilizando o cinto em todos os exercícios da sessão, inclusive, naqueles que não necessariamente exigem ação dos músculos estabilizadores do tronco, tornando quase que um “vício” o uso deste acessório.

Nas mulheres, um estudo avaliou a capacidade de produzir força no exercício agachamento para um grupo que utilizava o cinto e sem o cinto.  O grupo com o acessório conseguiu em média levantar 1 kg de carga a mais, porém, as mulheres participantes também foram separadas pelos níveis de força do músculo abdominal, e para o grupo mais fraco, o cinto parece não influenciar significativamente no aumento de produção de força, sendo esse efeito apenas observado no grupo que possuía o abdômen mais forte.

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O uso do cinto do cinto na musculação ainda é controverso, pois, a pressão intra abdominal gerada pelo acessório parece não influenciar a atividade dos músculos estabilizadores, apesar de boa parte dos estudos demonstrar uma melhoria no desempenho na produção de força, principalmente no exercício agachamento.

Um erro comum do uso do cinto é utilizá-lo em exercícios que não exigem estabilização do tronco, como os realizados sentados ou com cargas baixas (menor do que 60% de 1 repetição máxima), e questiona-se também um possível dependência, até certo ponto psicológica, de se produzir altos níveis de força apenas com o uso do cinto.

Apesar de não serem visto contra indicações na sua utilização, independente do uso do cinto, sugere-se que um trabalho de fortalecimento dos músculos estabilizadores como reto abdominal, oblíquo externo, eretores de espinha, transverso, seja realizado em conjunto com o exercício principal, priorizando a técnica correta do movimento e um planejamento coerente na progressão das cargas de trabalho, não sendo vistos nas publicações analisadas, nenhuma relação do uso do cinto na prevenção de lesões na coluna.

Referências:

Finnie SB et al. Weight lifting belt use patterns among a population of health club members. J Strength Cond Res. 2003 Aug;17(3):498-502.

Clark DR, Lambert MI, Hunter AM. Muscle activation in the loaded free barbell squat: a brief review. J Strength Cond Res. 2012 Apr;26(4):1169-78.

Zink AJ et al. The effects of a weight belt on trunk and leg muscle activity and joint kinematics during the squat exercise. J Strength Cond Res. 2001 May;15(2):235-40.

Alcaraz PE, Palao JM, Elvira JL, Linthorne NP. Effects of three types of resisted sprint training devices on the kinematics of sprinting at maximum velocity. J Strength Cond Res. 2008 May;22(3):890-7.

Smith EB et al. The effects of lumbosacral support belts and abdominal muscle strength on functional lifting ability in healthy women. Spine (Phila Pa 1976). 1996 Feb 1;21(3):356-66.

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