#30 Reality, Dicas

Competição de triathlon e não teve triathlon no Peru

Triathlon no Peru

Se contar ninguém acredita. Rsrs. 

Hoje carimbei mais uma página em minha vida esportiva. O dia que cheguei pra competir um triathlon e não tinha triathlon. 

Tá bom. Isso já aconteceu comigo outras vezes. Mas era eu que estava no lugar errado. Dessa vez não. Eu estava no lugar certo, na hora certa, no dia certo. 

Onde tudo começou.

Bom, a história começa com toda empolgação de voltar a competir uma prova de triathlon depois de mais de 8 meses, eu acho. 

Motivação no grau 10 plus hard. Treinando bem, outro país, totalmente desconhecido dos demais atletas, correndo por fora. Enfim, do jeito que eu gosto. 

Acordei cedo, arrumei as tranqueiras todas de um triatleta Embarca tudo. Ah, cafezão da manhã top. Tudo engrenado. Parti. 
45 min de carro na Pan-americana Sur para chegar a praia de Santa Maria. Dobra aqui, sobe ali. Chegamos. 

A prova de triathlon

Cadê a transição? Cadê o pórtico? Cadê as boias? Cadê o organizador? Cadê sei lá? Será que é aqui?

Nada havia.  Só um bando de triatleta batendo cabeça, sem saber o que estava acontecendo. E nada havia. 

Na verdade, os peruanos nem estavam tão surpresos pois a fama da federação de triathlon é de longa data.

Desorganização é seu lema. Mas o muchacho que se dizia responsável pelo evento consegue ser mais famoso que a própria federação pela sua incompetência. 

Moral da história

Todo mundo tentando contato com o camarada para saber o que estava acontecendo e nada dele responder. 

Por volta de 08:30h, eis que o iluminado surge das cinzas com um post no facebook com os seguintes dizeres:


“Não haverá competição por motivos de segurança”. Kkkkkkkkkkkkkk (esse kkk é meu. Não estava no post dele. Eu que ri mesmo). O espírito sem luz sequer foi lá.  Acredito que ele já sabia que não haveria competição há muito tempo. E só cozinhou a galera em banho-maria. 

Com a notícia, um olhou pra cara do outro e pensou: e agora, o que fazemos? 

A galera foi unânime em decidir:

Já estamos aqui, abraça a velha. Vamos competir entre nós. Cada um por sua conta e risco já que as ruas estavam abertas, sem balizamento e com fluxo normal de carro, moto e caminhões. 

A essa altura da história você já tá pensando: vai dar m…!!!

O triathlon  de verdade

Reconhecemos o percurso do ciclismo todos juntos marcando os pontos dúbios com tambor de lixo. Seriam 3 voltas. 

O percurso da corrida seria igual com apenas uma volta. 

E na natação marcamos duas boias de barco no melhor estilo vamos até ali e volta, quem chegar primeiro ganha. 

Área de transição sensacional no meio fio com duas mães e três namoradas na contenção da malandragem pra não levarem as bikes. 

E na largada, acredito ter escutado alguém falar: fala já aí tia.  

Roupa de borracha vestida, bike aprumada no meu meio fio top, capacete, óculos, sapatilha já clipada, tênis, viseira. Tudo pronto.

Encarei a brincadeira com seriedade como tinha que ser.  Rsrs.  

O campeão e o vice-campão peruano de triathlon estavam lá e eu queria fazer uma graça. 

Todos alinhados na areia, dedo no cronômetro no modo multi-desporto (jurei que dessa vez eu ia conseguir das os laps já que era uma competição não oficial), pressão lá em cima, expectativa, pulsação, nervosismo.  

E a tia fala: jaaaaaaaaaaaaaaa. 

exercício

 

Relato da prova

Partimos. Partida normal de sprint. Primeiros metros, MMA. Mais alguns metros, karatê. Depois disso, natação. E assim fomos. 
Me posicionei bem. Consegui descolar do pelote. E puxar água. Logo vi dois camaradas me passando animados na água. Pensei logo: são os dois pró. Vou no pé. Pulei rápido pra esteira. Suguei um pouquinho mas sobrei. Rapidamente chegamos na segunda bóia onde era pra voltar. Putz. Tinha dado uns 200m. Pensei comigo: essa bagaça vai dar uns 500m só. Deixa de ser frouxo e vai atrás dos dois. Fica falando força na remada pra todo mundo e agora tá aí sobrando. Meti a mão. Consegui diminuir a distância e encostei um pouco. Chegamos na areia. O relógio marcou 510m. Pancadaria pura. 

natação

Esgoelei na transição pra chegar nesse mini pelote. Corri igual notícia ruim. Cheguei na bike e ela estava lá. Já era um ponto positivo. Tira roupa de borracha. Bota o capacete. Chama na bike já montada, já que não tinha linha de porra nenhuma de monte e desmonte. E saímos juntos. Eu, o campeão peruano e o vice. 

Um sobe desce dos infernos. 20 buracos pra cada um. 36 quebra-molas. 18 olho de gato. E pedra. Pedrinha. Pedrão. De todos os jeitos.  
E o ritmo tava frenético. Nós três estávamos escapados uns 45 segundos do segundo grupo. 
Eis que lá pelas tantas, uma dessas pedrinhas me traiu, e furou meu pneu dianteiro. Ouvi o furo e o pneu esvaziando. Rapidamente avisei que ia diminuir pois ela começaria a tremer em breve. Pronto. 

Pneu seco, sem material de reposição (sprint não adianta), voltando empurrando para a zona de meio fio. 
Lá deixei a bike e quando os dois chegaram saí pra correr com eles. Mas aí já tava fora do jogo. Só corri pra não perder o baile. E estava descansado. 

bicicleta

Saldo final

Acho que ninguém foi atropelado. Pelo menos não vi. Também ninguém caiu. Nenhuma bike foi roubada. A segurança foi eficiente. Não concluí minha prova por problemas técnicos.

A tia que disse já, deve assumir a federação peruana de triathlon. Se portou muito bem. 

E fizemos uma foto com os três primeiros lugares para mandar pro espírito sem luz do organizador agradecendo todo o apoio e consideração. 

E eu, após minha desclassificação aguardo o próximo evento pra ver se dá caldo ou não dá. 

Por enquanto, vou ficando com essa saída honrosa digna de um bom mimimi muito comum na internet.

Vou jogar aqui os clássicos:

  • “tava em primeiro mas furei”;
  • “tava benzão mas tive que parar”;
  • “SE não tivesse furado brigava pro pódio mole”.
  • E a melhor: “essa prova era minha foi uma pena”. 

Com isso encerro meu breve relato sobre minha primeira prova de Triathlon no Peru. 

Vamo que vamo e força na remada.

Texto:

Wagner Romão siga no instagram @wagner_romao

corrida

Marcello Paiva
Idealizador do portal @30tododia
Professor de Educação Física – UFRJ
Pós graduação em Fisiologia do Exercício e Programação Neurolinguística.
Coaching deTreinamento / Palestrante Motivacional
Consultas: 21 2529-6473
Email: marcellopaiva@30tododia.com.br
Post AnteriorPróximo Artigo
Marcello Paiva
Idealizador do portal @30tododia Professor de Educação Física - UFRJ Pós graduação em Fisiologia do Exercício e Programação Neurolinguística. Coaching deTreinamento / Palestrante Motivacional Consultas: 21 2529-6473 Email: marcellopaiva@30tododia.com.br